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Artigos comemorativos da copa ainda são vendidos em Aracaju

Toda a capital enfeitada: shoppings, lojas, bares, escolas, carros. O comércio em Aracaju desde o final de abril exibia uma enorme diversidade de artigos e acessórios femininos, masculinos e infantis, tudo nas cores da seleção brasileira. Blusas, bermudas, vestidos, maquiagens, chapéus, cornetas (as famosas vuvuzelas), bandeiras (de todos os tamanhos), bolas, chaveiros, chinelos, brinquedos e etc. Tudo nas cores da seleção estava à disposição dos torcedores mais apaixonados, dispostos a um "look" mais despojado para torcer pelo Brasil.

Todos os anos o comércio de Aracaju aposta em datas comemorativas como Dia das Mães e o Natal para alavancar as vendas e aumentar os lucros. Em 2010, essa expectativa ganhou mais um grande aliado, a Copa do Mundo FIFA 2010. Mesmo com a seleção eliminada nas quartas-de-final, a moda da copa na capital continua. Ela está nas vitrines, nas fachadas, na ponta da língua dos vendedores, e os comerciantes acreditam que não terão prejuízos após a derrota do Brasil de 2x1 para a Holanda.

Após a eliminação, era visível a decepção dos torcedore s sergipanos, mas ainda se via muitas lojas na expectativa de vendas de artigos comemorativos. Segundo a gerente de uma loja de artigos da Seleção no centro da cidade, Nadja Dias Santos, embora o Brasil tenha perdido a Copa, muitos sergipanos ainda procuram produtos com a temática. “Muitas pessoas programaram festas de aniversários e confraternizações com enfeites do Brasil, por isso a mercadoria só irá ser recolhida após o término da Copa”. Ela acrescenta que muitos clientes já estão conformados com a desclassificação da Seleção Brasileira e até preferem que a Seleção seja vitoriosa em casa, referindo-se a copa de 2014 que será realizada no Brasil. Ainda de acordo com Nadja, muito dos produtos estão na promoção e os descontos variam de 20% a 50%, sendo que os artigos que não forem vendidos serão guardados.


Além dos acessórios, as blusas da Seleção Brasileira foram um dos produtos mais vendidos pelos comerciantes. No início da Copa uma blusa original da Seleção custava em média R$ 170,00, hoje já pode ser encontrada por até R$ 99,90. Em malharias de confecções próprias, blusas que custavam R$24,99, são vendidas por até R$9,99 dependendo do tamanho e do modelo. De acordo com o dono de uma das malharias, Eduardo Lima, foram estocadas mais de 3 mil camisas para a Copa do Mundo da África. A loja conseguiu vender até o jogo contra Holanda aproximadamente 2500 camisas. Ele ressalta que como as blusas ainda continuaram com as cinco estrelas podem ser reaproveitadas em eventos futuros, como por exemplo, a Copa de 2014. Com a diminuição dos preços ainda há uma esperança de conseguir vender tudo até o final da Copa, brinca Eduardo, “brasileiro não deixa de ser brasileiro por perder uma Copa do Mundo, e apaixonados como nós, as blusas sempre estarão na moda, principalmente para o público feminino”. Afirma Eduardo.

Já em uma loja de calçados, recém inaugurada em Aracaju, a gerente Vera de Góes afirma que todos os calçados personalizados da Seleção estão em promoção e, como se trata de uma mercadoria usual, ela afirma ser muito difícil ter prejuízos. “Investimos muito em chinelos e sandálias rasteiras femininas, mas como se trata de um produto do cotidiano e de grande necessidade sairá rapidamente”, completa.

A moda da Copa ainda resiste no comércio aracajuano por aspectos bastante peculiares. Durante as entrevistas todos os comerciantes afirmavam acreditar que o fato da Argentina não ir mais para a final, pois também foi eliminada nas quartas-de-final pela Alemanha, empolgou, alegrou, e inspirou os torcedores. Por isso os sergipanos irão torcer uniformizados na final do campeonato, mesmo que para os outros times. Os torcedores ainda procuram guardar como lembranças alguns artigos e acessórios da Copa do Mundo da FIFA 2010 da África.

Para aqueles que ainda pensam em comprar artigos comemorativos da Copa um alerta: prestem atenção no selo do Inmetro ou nas etiquetas dos fabricantes para eventuais problemas posteriores nos produtos.


Por Marta Costa

(olivacost@hotmail.com)

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Ópera Aída reancende o gosto por música clássica em Sergipe

Duas nações rivais, o ciúme desmedido de uma mulher e, claro, um casal apaixonado. É em meio a esse drama que se desenrola a ópera Aída, do italiano Giuseppe Verdi. Nos 25 anos da Orquestra Sinfônica de Sergipe, esta foi a primeira vez que uma ópera foi apresentada no Estado, ainda que sob a forma de concerto. Aída não só lotou o Teatro Tobias Barreto como convidou toda a platéia a dar um belo passeio pelo Egito dos faraós, princesas e escravos. Regida pelo maestro Guilherme Mannis e conduzida pelas vozes dos solistas Elayne Casehr, no papel de Aída e Marcelo Vanucci, como Radamés, a ópera arrancou por vezes suspiros e aplausos de uma platéia emocionada.



A interpretação de Aída representa um grande marco na vida cultural sergipana. Fatores como o alto custo e a falta de tradição contribuíram para o adiamento do espetáculo. “É um trabalho muito grande, muito árduo. Nós tivemos que nos superar para que a produção acontecesse”, relata o maestro Guilherme Mannis. Com um elenco reforçado, Aída mobilizou, além da própria orquestra, dois coros, uma banda e 7 solistas, sendo dois deles sergipanos.

A alegria de vivenciar uma ópera se faz presente não só na platéia que assiste, mas também nos músicos, os quais depois de meses de dedicação finalizam o concerto com a sensação de missão cumprida. “A possibilidade de tocar uma ópera é fantástica. É difícil, é cansativo, mas é muito bom. Eu achei a experiência ótima”, declara o fagotista Isaac Barbosa Soares que integra a ORSSE há quatro anos. Isaac ressalta ainda que ficou bastante feliz com o público do teatro, que na ausência de assentos não pestanejou diante da possibilidade de se sentar nos corredores.

A melancolia de Aída transformou-se em emoção e embalou toda a platéia que de pé aplaudiu sem economias a Orquestra sergipana. “Eu acredito que a emoção que fica na gente é o mais importante quando se vê uma obra como essa”, afirma Carlos Eduardo que fez questão de levar a esposa grávida para assistir o espetáculo. “A minha intenção, na verdade, foi que a vibração positiva da Orquestra pudesse, além de passar em mim também pudesse passar para o meu filho”, afirma Carlos Eduardo emocionado.

O sucesso de Aída deve atrair ainda mais espetáculos deste porte e quem sabe, em breve, Sergipe realize a montagem completa de uma ópera. “Podemos ver que Sergipe tem não só a capacidade de receber eventos desse tipo como também a vocação. A recepção do público foi muito boa, assim como a repercussão por parte da sociedade”, conclui o maestro Mannis.

Por Bianca de Oliveira
(biancacello@hotmail.com)
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Sistema público de reabilitação de usuários de droga

Entender o sistema público de saúde brasileiro, especificamente no que diz respeito à reabilitação de usuários de drogas, é resgatar de onde vem a concepção de saúde trabalhada. A Organização Mundial da Saúde (OMS) é uma agência oficial das Organizações das Nações Unidas (ONU), é a partir dela que uma série de diretrizes a cerca da saúde são encaminhadas para os países membros.

O Brasil, como um desses membros, se apropria e segue as concepções adotadas pela OMS, deliberadas, em território nacional, pelo Ministério da Saúde. Os municípios brasileiros não são obrigados a segui-las, no entanto, o município de Aracaju as segue.

De acordo com essas diretrizes não existe tempo específico para o processo de desintoxicação dos usuários de drogas, com um tempo médio entre dois a cinco dias. Essa etapa, de desintoxicação, compreende o processo de reabilitação de usuários de drogas. Segundo informações de Wagner Mendonça, Apoiador Institucional do Centro de Apoio Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS) infantil, a desintoxicação é um quadro orgânico.

Wagner explica que o corpo de uma pessoa que usa drogas de maneira abusiva exige, gradativamente, maior quantidade da droga para conseguir o mesmo efeito inicial, já que ele se adapta aos efeitos.

“Quando a pessoa não usa a droga, o organismo apresenta um quadro de sinais e sintomas, que são pela ausência da droga, bastando a pessoa voltar a usar para não apresentar os sintomas. Esse quadro é o de dependência,onde a pessoa precisa da droga. O sujeito que é usuário crônico e tenta parar sozinha pode vir a óbito. Se ele for diminuindo aos poucos ou tiver suporte médico provavelmente ele não virá. Essa é uma coisa que precisamos ter em mente”, explica o representante do CAPS.

O quadro de desintoxicação se configura, por tanto, na retirada da droga do usuário, no conseqüente internamento do paciente, substituindo a droga por um medicamento psicotrópico – que alteram o funcionamento do sistema nervoso central (medicações psiquiátricas, café, cocaína, etc). É provável que após o internamento, o usuário em tratamento precise continuar tomando o remédio.

“Porém não existe quadro de desintoxicação que vá durar um mês, porque nesse período não há mais vestígio da droga no organismo da pessoa. O que pode acontecer é determinada parte do organismo da pessoa estar comprometida devido ao uso da droga, no caso do álcool, o fígado, e do crack, o pulmão”, esclarece Wagner.

A droga não se limita à alteração do corpo físico, mas também do psicológico – que trabalham em consonância. São os motivos psicológicos, diretamente influenciados pela condição social-cultural-econômica do indivíduo, que estimulam o uso da droga. Ainda segundo Wagner Mendonça, 92% das pessoas que passam por clínicas de reabilitação, fazendas religiosas, ou outros locais com mesma finalidade, voltam a usar drogas de maneira abusiva em até seis meses.

A conclusão possível de se chegar após tal afirmação, é que a reabilitação não se limite à assistência clínica, de desintoxicação, mas que haja todo um aparato de assistência pública social e psicológica que inclua esses indivíduos socialmente, seja em seus núcleos familiar, seja em sua comunidade de origem, seja na sociedade como um todo. Os dois CAPS voltados a reabilitação de usuários de drogas em Aracaju travam seu trabalho junto a vários profissionais, psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais, oficineiros, etc. Em contra partida, Wagner reconhece a carência de assistência para que esses usuários “não escapem entre os fios dessa rede”.

Uso e abuso, o direito à escolha.

Do ponto de vista daqueles que mantêm a saúde pública, o ideal seria que as pessoas não usassem drogas, devido aos investimentos necessários para a manutenção do sistema. Como isso é impossível, o aconselhável são determinadas precauções por parte do usuário, como não dirigir ao escolher beber, por exemplo.

Existem algumas diferenças entre aqueles que usam drogas. Há aquelas pessoas que usam drogas quando querem, no final de semana com os amigos, é o que chamam os especialistas da área de uso recreativo. As pessoas que se utilizam da droga dessa forma não tem problemas com ela.

Mas há aqueles que abusam da droga, e isso ocorre quando as pessoas perdem sua capacidade de escolha, de autonomia. Wagner Mendonça acredita que se o foco da pessoa, ou da família do paciente, em muitos casos, for parar definitivamente é complicado.

O tratamento consiste em conhecer o paciente, onde o paciente está inserido, o que ele gosta de fazer, em quais momentos o abuso da droga atrapalha o desenvolvimento de uma atividade. “Então você vai lidar com um adolescente que está usando droga de maneira abusiva e fala para esse adolescente não usá-la, ele não vai fazer isso. Mas aí a gente descobre que ele gosta de futebol, e descobrimos também que ele não tem um rendimento tão bom por causa do abuso das drogas.Ele escolhe provavelmente diminuir para ter um melhor rendimento no esporte”, disse o representante do CAPS.

Por Talita Morais
imagem: Talita M./Contexto Online
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Dia dos namorados aquece o comércio

O dia dos namorados é uma das celebrações que mais alimentam as vendas, perdendo somente para o natal, que vem em primeiro lugar, e o dia das mães. Os vendedores de Aracaju se preparam, arrumam suas vitrines, apresentam produtos inovadores, tudo isso para atrair os clientes. Esse ano não poderia ser diferente, as lojas estavam sempre cheias e arrumadas com artigos que representam o amor, como corações enfeitando as vitrines e fotos apaixonadas, tudo cada vez mais inovador.

As vendas do ano de 2009 tiveram um aumento de 3 a 5% em relação ao ano anterior. Segundo a gerente da loja O Boticário, Elisângela Leal, esse ano a expectativa de superação nas vendas é de 10%. Provando que o comércio se beneficia cada vez mais com a comemoração do dia dos namorados e os lojistas procuram atrair sempre mais o cliente.

Na loja iO, no Shopping Jardins, os vendedores apostaram na promoção de 20% visando a comemoração, inovando também nos produtos que ficaram mais românticos para atrair os casais. “A nossa vitrine mudou, ficou bem romântica, toda em tons de vermelho e branco, e, para complementar, nós customizamos os adesivos do Tito, que é a nossa logomarca, um bulldog francês fofíssimo. O Tito veio de cupido, com direito a asinhas, flecha, corações e tudo que há de romântico!”, disse Magda Duarte, vendedora da iO.

Cada ano os vendedores se preparam para imaginar uma nova forma de atrair a clientela apaixonada, e a tendência é os produtos se modernizarem e as vendas crescerem. Agora só resta aos casais aproveitarem e presentearem seus parceiros com as novidades.

Por Bárbara Kruschewski

imagens: Bárbara K./Contexto Online
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Morte de ícone da literatura sergipana completa 121 anos

“Pobres ervinhas brotarão viçosas, E o esquecimento brotará também”. Sem saber, Tobias Barreto de Menezes, escrevia aí, em seu poema intitulado Pressentimento, a representação de que o futuro traria reflexões sobre o que foi a sua vida, a sua obra e os anos que sucederam a sua morte. O eu lírico, ainda que timidamente, acredita que seus “frutos” germinarão, mas tomado por um pessimismo,crê que algo os sufocará.


Poeta, crítico, jurista, filósofo, criador do condoreirismo e patrono da cadeira 38 da Academia Brasileira de Letras. A sua importância para a história da literatura brasileira e principalmente local é inegável, mas teve grande parte dos seus escritos, principalmente os poéticos, depreciados pela crítica e seu nome deixado de lado em detrimento de outros escritores da mesma época, como Castro Alves.


Em 7 de junho de 1836, em Vila de Campos do Rio Real, atualmente conhecida como Tobias Barreto, nome que é também atribuído a uma praça da capital sergipana em sua homenagem, nascia o filho de Pedro Barreto de Menezes e Emerenciana de Menezes. Estudou latim, foi cantor e flautista da atual Filarmônica Nossa Senhora da Conceição e no início da maturidade seguiu para a Bahia com a pretensão de freqüentar um seminário, desistindo por falta de vocação. Retornou a Sergipe e logo depois partiu para Pernambuco, onde matriculou-se na Faculdade de Direito do Recife, chamada carinhosamente de “A Casa de Tobias”. Antes e durante o curso, lecionou aulas particulares de diversas matérias para sobreviver.


Mestiço e vivendo em uma época e sociedade marcadas pelo preconceito racial, teve sua vida amorosa prejudicada. Ainda assim, casou-se antes mesmo de concluir o curso de direito com a filha de um coronel rico do interior, proprietário de engenhos no município de Escada, onde viveu por cerca de 10 anos.


Em seu tempo livre, se dedicava à leitura de autores evolucionistas, sobretudo os alemães, língua com a qual desenvolveu uma forte relação. Hermes Lima, autor de obra biográfica sobre Tobias, conta que ele "para irritar o burguês, com uma nota mais ostensiva de superioridade, abria freqüentemente seu luminoso leque de pavão: o germanismo". Ainda em Escada, Pernambuco, redigiu o periódico bilíngüe Deutscher Kampfer"(O lutador alemão), que teve pouco alcance e uma breve duração. Um pouco mais tarde publicaria os “Estudos Alemães” (no qual difundia idéias germânicas), mas foi duramente criticado, pois segundo alguns, não passavam de paráfrases de autores alemães.

Com a morte do sogro e devido às disputas pela herança, Tobias voltou para Recife e começou a lecionar na Faculdade de Direito. É nesse momento de sua história que participou e liderou o movimento da Escola do Recife (importante movimento cultural que surge na Faculdade de Direito em 1860 e que contribuiu para a produção intelectual brasileira).


O ícone sergipano passeou por ensaios, críticas, pelo âmbito jurídico e filosófico. Sua poesia se aproximava do simbolismo de Cruz e Souza. Criticou a escravidão e o regime monárquico, por vezes questionou os dogmas religiosos, foi cético, outras sensível, lírico e menos contestador. Seu único livro de poesia “Dias e Noites”, revela uma pluralidade de temas e estilos muitas vezes controversos entre si. Boa parte dos críticos considera Tobias Barreto um grande pensador, filósofo, revolucionário, mas não um poeta.


O crítico Afrânio Coutinho afirma que sua produção lírica descai para o mau gosto e para a banalidade, “Dias e Noites (1881) nada vale. Ninguém se lembraria de Tobias Barreto, se dependesse dessa obra”. Ele ainda afirma que alguns de seus textos nada mais eram que plágio das poesias de Casimiro de Abreu.


Próximo aos 50 anos, o escritor adoece, sem nenhum dinheiro e já desesperado, envia uma carta a seu antigo colega de faculdade Silvio Romero e diz que está à beira da morte, pedindo algum dinheiro. Sete dias depois vem a falecer na casa de um amigo onde estava hospedado. O seguinte relato foi feito por Graça Aranha sobre a presença de Tobias diante da banca examinadora para o ingresso na Faculdade de Direito: “Tobias, mulato desengonçado, entrava sob o delírio das ovações. Era feio, desgracioso, transformava-se, na argüição e nos debates de concurso. Os seus olhos flamejavam, da sua boca, escancarada, roxa, imóvel, saía uma voz maravilhosa, de múltiplos timbres, sua gesticulação transbordante, porém sempre expressiva e completando o pensamento. O que ele dizia era novo, profundo, sugestivo”. Em 26 de junho, completou-se 121 anos de sua morte.


por Layanna Machado

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Adoção cresce 200% em Aracaju

A adoção sempre foi um tema cercado por delicadezas, polêmicas e comoção. Há, tanto por parte do adotante quanto do adotado, o desafio e o anseio de se construir um vínculo afetivo sem a existência do elo consangüíneo e genético. Segundo dados recentes anunciados pelo Juizado da Infância e da Juventude de Aracaju, o número de adoções intuitu personae – termo usado para definir os casos em que os próprios pais biológicos escolhem a pessoa que irá adotar o filho – aumentou em 200%. Este ano 17 crianças tiveram seus processos de adoção finalizados pelo método tradicional, enquanto que 81 ainda estão em andamento.

O procedimento para adoção é regulamentado juridicamente pelo Código Civil e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. Legalmente, existem dois métodos: a casada ou direta e a realizada através do cadastro de adoção. O primeiro é feito através de um acordo entre os pais biológicos e os que pretendem adotar a criança. Já o segundo é feito através de cadastro e exige a deposição do poder familiar dos pais biológicos.

No estado de Sergipe, uma instituição atua justamente no auxílio aos envolvidos nesse tipo de procedimento, o Grupo de Apoio à Adoção de Sergipe (GAASE). Qualquer pessoa que tenha interesse no tema ou que lide diretamente com o universo da adoção pode participar das atividades da instituição, sejam pais adotivos, pretendentes à adoção, assistentes sociais, psicólogos, juízes, promotores, pedagogos ou aqueles que, mesmo não possuindo envolvimento direto, desejam oferecer suporte ao grupo.

De acordo com a instituição, “a expectativa é que nossas modestas ações possam contribuir com a realização dos sonhos dos pais adotantes e com os anseios, manifestos ou não, das crianças hoje em abrigos, onde esperam por uma família”. O GAASE procura apoiar, orientar e incentivar os processos de adoção através de palestras, encontros, oferecimento de suporte às crianças abrigadas e de apoio às famílias adotantes. No entanto, a organização não interfere diretamente nos processos de adoção.

Mais informações acerca do processo de adoção podem ser conseguidas no próprio site do GAASE.

Por Rafael Santos
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Aracaju também precisa de ajuda

O estado de Pernambuco vem sofrendo com os deslizamentos de terra ocasionados pelas fortes chuvas e pelas casas que foram construídas em locais inadequados. Em Alagoas a história se repete, são milhares de famílias desabrigadas que perderam tudo o que tinham. O estado de Sergipe colocou-se a disposição destes estados para prestar assistência às vitimas da chuva. De acordo com o comandante-geral Nailson Santos, do Corpo de Bombeiros, Sergipe enviou equipamentos e oficiais para Alagoas, Estado com a situação mais calamitosa. Mas o que será feito para prevenir se igual situação ocorrer em Aracaju, ou em cidades sergipanas?

Para Alagoas foram enviados pelo comando dos bombeiros: dez militares, compondo duas equipes de mergulho; três cães farejadores e mais três militares adestradores; dois botes infláveis de salvamento, com motor, rebocados por duas caminhonetes; seis equipamentos de mergulho completos com mais nove cilindros extras; e o compressor de ar para reabastecimento desses cilindros, informou o comandante-geral. Mas esse número ainda é muito reduzido comparado com a realidade nacional.

A situação dos dois Estados continua crítica, Sergipe se propõe em ajudar, mas no Estado também sofre com situações parecidas, como por exemplo, as chuvas do inicio do ano. Aracaju foi a segunda capital planejada do país. Todas as ruas foram projetadas geometricamente, como um tabuleiro de xadrez, também conhecido como tabuleiro de Pirro, em homenagem a Sebastião Basílio Pirro, engenheiro responsável pelo desenho de Aracaju. A perfeição geométrica com que Aracaju foi traçada, aparentemente delimitava seu espaço físico, mas não suas questões sociais. Estas questões logo demonstraram como é inadequada a idealização de uma cidade através de projetos elaborados sem um estudo prévio de características culturais da população, do clima e da região.

Aracaju idealizada como modelo de capital em pouco tempo tomava a face de uma legítima capital brasileira, com muitos problemas a serem solucionados. Muitos dos que vieram para cá a procura de uma melhor sorte, encontraram some o desemprego e as invasões como uma das únicas formas de moradia. A questão é que muitos desses problemas continuam sem solução e nem perspectivas de serem solucionados. Pela noite as ruas do centro de Aracaju se transformam em leitos para dezenas de famílias que não possuem teto, e o Estado nada faz para mudar essa situação.

Em vários pontos da cidade existem invasões e regiões marginalizadas, onde pessoas vivem em condições sub-humana. Enquanto várias famílias passam fomes na capital Sergipana , o Governo do Estado anuncia, através da defesa civil uma campanha de arrecadação de alimentos para os estados afetados. E pelos pobres e famintos dos bairros periféricos de Aracaju e do estado de Sergipe, quem os defende? Afinal no jogo de interesses políticos, é mais interessante, fazer boa imagem com medidas paliativas para o estados vizinhos do que solucionar os próprios problemas.

Problemas como os do Santa Maria,do Pantanal, da Piabeta, do Coqueiral, e de tantos outros bairros de Aracaju são divulgados sempre, e a sociedade aracajuana tem conhecimento dos problemas urbanos ocasionados principalmente pelas chuvas na capital. Esses bairros citados, também costumam ser cenário dos muitos crimes que estampam as páginas dos jornais. Bairros que cresceram de forma desordenada. Regiões essas, dominadas pela criminalidade e drogas, onde o descaso das autoridades está marcado nas ruas, sem saneamento, nas escolas depredadas; sem professores e nas pessoas sem perspectivas de mudança. O Governo de Sergipe só pode estar com hipermetropia , doença que se caracteriza pela dificuldade em enxergar o que está perto. Óculos urgente para nossos governantes!!!

Por Ivo Jeremias

Fotos:Blog Acontece em Sergipe
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A beleza sergipana no país do forró

Os festejos juninos caracterizaram o Estado de Sergipe. Em Aracaju, várias foram as ruas enfeitadas e as noites de festa ganharam um brilho especial com as fogueiras e os fogos de artifícios. O São João é com certeza um das principais festas do calendário nordestino. E as sergipanas, em particular, todos os anos esperam ansiosas por esta data, data que demonstra toda a exuberância de uma cultura muito rica.

Falar de festa, exuberância e não citar elas, as mulheres, é claro, soa quase como um pecado. Se Sergipe fica ainda mais bonito nesta época, elas também aproveitam para dar uma incrementada no visual, afinal como diz a letra do cantor Rogério: “ Sergipe é o país do forró , tem moça bonita que só...”. E é para manter a letra da música fiel a realidade, que a sergipana se prepara para não fazer feio nos dias da festa.

A gerente de loja, Andréia Nunes, dá algumas dicas para aquelas que desejam compor um visual adequado à época do ano. “No São João, não da muito para fugir da calça jeans e das estampas xadrez, mas isso não quer dizer que devemos ficar preso a isso. O importante é estar se sentindo bem e confortável, afinal ir de salto alto para dançar forró, além de desconfortável, pode ser bastante brega.”

A estudante de direito Ana Clara Almeida, sempre se anima com os festejos juninos. E diz que a preocupação não é só com a escolha da roupa,“ tem que cuidar de tudo meu bem, não adianta ir com uma roupinha bonita e o cabelo e as unhas estarem um horror. Sempre vou ao salão para estar um arraso na hora da festa”, diz.

E o comércio pode comemorar porque festa não vai faltar para aquecer as vendas. Os festejos juninos acontecem em todo estado de Sergipe. Em Aracaju o forró começa sempre as sexta-feira. Um dos maiores eventos de todo o Estado é o Forró Caju que todos os anos atrai milhares de pessoas. Neste ano foram 11 dias de festa e a expectativa sempre é a mesma muito forró e muita alegria . Um São João marcado pela paz, alegria e além de tudo pela beleza. Em 2011 tem mais forró, aguardem.

Por Ivo Jeremias

Fotos: Jadilson Simões
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Unindo luta e cultura para formar cidadãos

A UFS promove o Projeto Capoeira como forma de resgatar costumes afro-brasileiros e de incentivar o esporte.


A capoeira é uma forma de expressão cultural que mistura dança, luta e elementos africanos na sua composição. Originada pelos escravos da África Ocidental trazidos ao Brasil por colonizadores, essa expressão surgiu como forma de resistência à escravidão, tentativa de reviver os tempos de liberdade e cultivo a rica cultura africana. Por muitos anos, a capoeira foi considerada subversiva e marginalizada, até que em 1932, Manoel dos Reis Machado, conhecido popularmente como Mestre Bimba, fundou a primeira academia de capoeira em Salvador. Com traços que misturavam a capoeira com outras artes marciais (conhecida como Capoeira Regional), Mestre Bimba fez com que a capoeira finalmente saísse da marginalidade e se expandisse para outras partes do Brasil. E em Sergipe essa cultura ganha mais um incentivo através do Projeto Capoeira da Universidade Federal de Sergipe (UFS).

A forma de expressão cultural, capoeira, não parou de crescer, em muitos países já são encontradas muitas marcas dessa cultura. Atualmente a Universidade Federal de Sergipe abre espaço para esse esporte cultural, através do ‘Projeto Capoeira’. A fim de resgatar costumes afro-brasileiros e incentivar o esporte. As aulas são ministradas pelo acadêmico Bacharel em Educação Física, Heleno Almeida Junior e coordenadas pela professora Roselaine Kuhn. As aulas ocorrem no Ginásio de Dança do Departamento de Educação Física, em duas turmas: 11h à 12h, e de 12h as 13h. Todas as terças e quintas feiras.

Professor Heleno conta sobre suas motivações com o projeto: “Comecei a gostar da capoeira através da influência de amigos e também pela curiosidade de conhecer a arte afro-brasileira.” Ao se referir ao projeto, Heleno afirma que já participava doutro projeto com uma idéia parecida, mas esse só envolvia a capoeira regional contemporânea. O Projeto Capoeira que atualmente ministra na UFS significa para ele uma nova experiência acadêmica, justamente por agregar elementos da capoeira regional de Mestre Bimba com a capoeira de Angola.

Heleno relata uma das dificuldades que o projeto enfrentou para vir à luz. Esclarece que o curso de Educação Física ainda enxerga a Capoeira como algo folclórico, como uma atividade física e não como uma luta, a exemplo das lutas marciais orientais. “O curso deveria enxergar a capoeira como uma luta”, diz ele. Mas mesmo assim, o projeto tem atraído a atenção da comunidade acadêmica e circunvizinha, já que foram abertas duas turmas e a média de alunos é de vinte participantes.

É capoeira pode ser vista como uma iniciativa, não só de incentivar a atividade física, mas de tirar os moradores dos bairros próximos da UFS do caminho da criminalidade. Uma forma de praticar a cultura e promover a cidadania. É essa a verdadeira luta que a capoeira promove

Por Matheus Albuquerque
(matheusfortes.maf@hotmail.com))
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Projeto Maria Scombona Convida continua em julho

Grandes amigos e uma paixão em comum, a música. Ao estabelecer parcerias com novos e antigos companheiros, e colorindo com arte essa união, é que surgiu o Maria Scombona Convida, projeto realizado pela banda sergipana Maria Scombona. O projeto além de conseguir realizar um passeio pela música brasileira faz uma mistura de ritmos que consegue respeitar fronteiras, tanto da Maria quanto do artista convidado para os shows, o que resulta em um som muito peculiar e, por isso, conquista a cada edição mais adeptos.

Idealizado pelos integrantes da Maria Scombona, o projeto tem o propósito de revelar e valorizar nomes do cenário musical de Sergipe. Com parcerias traçadas com artistas como Elvis Boamorte, Nino Karvan e Alex Sant'Anna, o Maria Scombona Convida tem obtido uma boa repercussão na capital Aracaju. “Há muito tempo que trabalhamos na cena, mas precisávamos disto, tocar mais com outros artistas, trocar figurinhas, cantando outros autores, vendo mais de perto como está indo a produção local”, declara Henrique Teles, vocalista da Maria Scombona.

Para tocar no projeto o pré-requisito básico é mesmo a afinidade com os integrantes. Entre amigos, o entrosamento é total e o desenrolar das canções caminha com a naturalidade típica das rodinhas musicais feitas em casa. “O critério é de afinidade e reconhecimento mesmo. O que não quer dizer que não fica gente boa de fora. Claro que fica, e é até bom perceber que na continuidade poderemos trazer novidades”, explica Henrique que, ao lado de seus colegas de banda, já traçou parcerias com mais de oito artistas locais.

Sem patrocínio, o Maria Scombona Convida caminha com seus próprios recursos, e o prazer em tocar supera qualquer apelo comercial ou interesse por lucro. “É um projeto 'faça você mesmo'. Gostaríamos, óbvio, de ter patrocínio, mas não deu tempo de vender o projeto e queríamos muito começar logo. Então o projeto, apesar de tão bem falado, tem pago pouco ou quase nada a nós todos”, relata o vocalista da banda.


Com uma história que começa no ano de 1992, mas que se concretiza em 2000, com a entrada de novos componentes: Júnior, Robson Souza e o último, Saulo Ferreira, que entrou na banda antes do segundo CD, muitos foram os projetos e parcerias traçados pela Maria Scombona no decorrer da sua trajetória. O maior deles é o Mundo Rock Interior de caráter educativo, que desbravou e levou conhecimento musical para muitas cidades sergipanas. O êxito do projeto despertou nos meninos da Maria Scombona a vontade de dar continuidade ao Mundo Rock para tentar contemplar mais pessoas e cidades. “Inscrevemos o Mundo Rock Interior num desses grandes editais culturais, para retornamos a estrada e ir ao interior do nosso Estado com uma proposta mais rica”, revela Henrique Teles.

Com uma boa trajetória, a Maria Scombona segue como uma das poucas bandas renomadas de Sergipe, possuindo ainda muitos planos para o futuro. O projeto Maria Scombona Convida se desenrola e trará na sua próxima edição, dia 09 de julho, o samba da banda Cabedal e a poesia da cantora Patrícia Polayne, tudo isso contornado pelas misturas musicais típicas do projeto enriquecido sempre pela criatividade de todos os artistas contemplados.

Por Bianca Silveira
((biancacello@hotmail.com )
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Diminui à procura por Bibliotecas Públicas em Aracaju

Silêncio, ambiente de estudo. Típica frase estampada nas paredes das bibliotecas vem sendo facilmente obedecida. Criada para tentar evitar conversas paralelas, e inibir eventuais barulhos, atualmente sua utilização parece desnecessária. Não que os usuários estejam reduzindo a conversação ou não fazendo mais barulho, mas sim por apresentar um fator muito mais problemático, a redução da freqüência de estudantes nesses ambientes de estudos. As três principais bibliotecas públicas do município de Aracaju constataram que nos últimos anos o número de seus visitantes tem diminuído.

Com tantos meios de pesquisas tecnológicas ágeis no ramo da internet, a procura por livros nas bibliotecas transformou-se algo bastante arcaico. Por não necessitar da locomoção para realizar consultas, a internet virou uma grande aliada no que diz respeito a ausência de estudantes nos desconfortáveis acervos e nas salas de leituras das Bibliotecas Públicas de Aracaju, que necessitam de uma recuperação na sua estrutura e principalmente nos seus locais de leitura. Na sua maioria, esses locais possuem um número de ventiladores reduzido e muito precário. Assim, o calor torna-se outro inimigo número um dos usuários, que precisam no mínimo de um pouco de conforto para realizar suas leituras.

Existem na capital aracajuana três grandes bibliotecas públicas a Ivone Menezes, a Clodomir Silva e a Biblioteca Estadual Epifânio Dórea. Para incentivar o acesso das pessoas nas bibliotecas, muitas delas elaboram alguns ideias. Como é o caso da Biblioteca Municipal Clodomir Silva que promove o projeto ‘’Hora do conto” todas as terças e quintas feiras das 14 às 17 horas. Além de possuir um espaço reservado para o cordel, que já teve a ilustre presença de Seu Zezé de Boquim um dos maiores cordelista de Sergipe.

Mas mesmo assim o público ainda continua pequeno. O fato é que as pessoas não imaginam a quantidade de riquezas que podem ser encontrada nas estantes de cada biblioteca, em cada acervo. A biblioteca Estadual Epifânio Dória, por exemplo, possui setores de grandes obras raras como é o caso de periódicos de 1920 e até uma Bíblia 1890.

Além da baixa freqüência, as bibliotecas sofrem com o descaso dos governantes que investem muito pouco nos patrimônios. Cada instituição recebe cerca de 1% do orçamento geral do Estado, muito pouco para suas necessidades. Sem falar que a catalogação dos títulos na maioria das Bibliotecas aqui citadas são feitas manualmente, não possuem sistema de digitalização, um trabalho demorado, complicado, e desgastante, não só para os funcionários mais também para as diversas obras guardada nos acervos.



Por Adriana da Rosa
(anotaaidricaveg@yahoo.com.br)









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Preconceito no ambiente escolar ainda é realidade no Brasil

Pesquisa realizada com mais de 18 mil alunos, pais e mães, funcionários de escolas, diretores e professores em mais de 500 escolas públicas no Brasil revelou que 99,3% demonstram algum tipo de preconceito, seja ele étnico, com pessoas com deficiência, econômico, de gênero, etc. Os resultados desta pesquisa pioneira no País realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), a pedido do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), foram divulgados em junho de 2009. Assim que os dados foram divulgados, gerou uma grande repercussão nos meios de comunicação em todo o Brasil.

O que chama atenção na pesquisa `Preconceito e Discriminação no Ambiente Escolar´ é que todos os números foram bem altos mostrando que 99,3% dos entrevistados têm algum tipo de preconceito e que mais de 80% gostariam de manter algum nível de distanciamento social de portadores de necessidades especiais, homossexuais, pobres e negros. Quem mais sofre com a discriminação são as pessoas com deficiência (96,5%), principalmente mental, seguidas de negros e pardos (94,2%). Preconceitos com relação ao gênero, idade, principalmente os que têm acima de 60 anos, classe socioeconômica, orientação sexual e preconceito territorial também foram elevados.

A pesquisa mostrou também que pelo menos 10% dos alunos sabem de situações em que outros alunos, professores ou funcionários foram humilhados, agredidos ou acusados injustamente apenas por fazer parte de algum grupo social discriminado. Essas ações são conhecidas como bullying. O estudo mostra também que o preconceito não é isolado e que a própria sociedade é preconceituosa. O coordenador do trabalho, José Afonso Mazzon, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), disse, na época, que “a maior parte das pessoas tem de três a cinco áreas de preconceito. O fato de todo indivíduo ser preconceituoso é generalizado e preocupante. E a conjectura que podemos fazer é que o bullying gera um ambiente que não é propício ao aprendizado”, afirma Mazzon.

Os resultados da pesquisa estão sendo analisados e a meta do Ministério da Educação (MEC) é elaborar políticas educacionais voltadas para essas questões. O objetivo é transformar a escola em um ambiente de promoção da diversidade e do respeito às diferenças e os dados obtidos servirão para embasar projetos que combata os preconceitos levados para a escola.

“O preconceito não é algo exclusivo das escolas, portanto os municípios têm que envolver os conselhos escolares, a comunidade local e as famílias, para melhorar o ambiente escolar. É possível pensarmos em cursos específicos para a equipe escolar. Mas são ações que demoram para ter resultados efetivos,” acredita o diretor de Estudos e Acompanhamento da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad) do MEC, Daniel Ximenez.

Por Elaine Mesoli
( elainemesoli@hotmail.com)



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Projeto Trilhas da UFS concilia teoria e prática

O Diretório Central dos Estudantes (DCE), da Universidade Federal de Sergipe (UFS), criou em março de 2008 um projeto turístico intitulado Trilhas. O propósito é levar estudantes de toda a academia para visitar principais pontos turísticos de Sergipe e de estados próximos. Assim o projeto consegue aproximar culturas do universo estudantil.

O projeto é uma atividade extraclasse que permite que acadêmicos deixem, por um momento, a rotina da Universidade. Trata-se de uma programação a fim de romper com o conteúdo preso aos livros. O contato direto com outros espaços geográficos, com diferentes fontes históricas, socioculturais, serve de complemento para a aprendizagem teórica.
Foram realizados mais de quinze viagens, e os seguintes destinos contemplados são: Serra de Itabaiana, Serra da Miaba, Ponta dos Mangues, Cachoeira de Macambira, Quilombo do Mocambo, Aldeia dos Xocós e a Igreja da Natividade, em Sergipe; Mangue Seco, na Bahia; Piranhas, Penedo, Piaçabuçu e Foz do Rio São Francisco, em Alagoas e Caruaru em Pernambuco. Nessas viagens mais de setecentos estudantes dos cursos de graduação dos campus da UFS participaram do Trilhas.

O presidente do DCE/UFS e idealizador do projeto, Antonino Cardoso, disse que primeiro roteiro escolhido foi a Serra de Itabaiana com sessenta estudantes. “Fazíamos os ofícios para que a universidade cedesse o ônibus e a partir daí criávamos a demanda de vagas para os estudantes e funcionários da UFS. No início, em 2008, tínhamos o acompanhamento de professores de biologia, geografia e história, mas apenas como viajantes. Contudo em 2009 resolvemos fazer dos roteiros algo pedagógico, usando do conhecimento dos professores que viajavam juntos conosco”, ressalta Antonino.

A primeira dificuldade do projeto foi a aceitação dos alunos, já que na primeira expedição foram apenas escritos os diretores do DCE e o pessoal do Programa de Assistência Estudantil (PROEST). Porém na segunda edição, depois com o reconhecimento do projeto, tiveram a ideia de repetir um dos roteiros (Serra de Itabaiana), e dessa vez, a presença dos estudantes foi confirmada. Na terceira saída a disputa pelas poucas vagas do ônibus começou a ficar acirrada, pois o projeto estava mais estruturado e reconhecido. Ainda segundo o idealizador, a inovação foi um fator importante, “Inovamos com um mapa de roteiros, com pernoites em algumas cidades, para que pudéssemos conhecer mais de um lugar, dos dez roteiros realizados em 2009, quatro foram com pernoites”, acrescenta o presidente.

O número de vagas varia de acordo com o roteiro e o transporte disponibilizado pela universidade. O critério de seleção para o participante é ser calouro e nunca ter participado do projeto, se por acaso tiver vagas não preenchidas pelos novatos, os veteranos são selecionados. Para a estudante de enfermagem, Alinne Peixoto, que já foi para duas edições do protejo, a experiência é bastante válida, “a integração com outros alunos de outros cursos, a diversidade de roteiros e o custo da viagem, faz com que eu sempre ‘brigue’ por uma vaga”, descontrai a estudante. Para customizar os gatos, são feitas parcerias com os municípios visitados, alguns cedem almoço e alojamento, já alguns empresas doam camisas. “O custo das viagens para os participantes é muito baixo, pois fazemos os orçamentos das viagens, abatemos as ajudas das parcerias e o restante dos gastos é dividido pelo número de participantes”, esclarece Antonino. O roteiro do sertão pernambucano incluiu: transporte, três noites de hospedagem, alimentação e acesso aos museus e grutas, custou apenas R$ 40,00.

A sociedade não pode participar do projeto, apenas a comunidade acadêmica, os estudantes, professores e funcionários da universidade. No último roteiro ocorreu entre 29 de abril e 2 de maio de 2010, o destino foi o sertão pernambucano e teve inscritos 400 estudantes para 90 vagas disponíveis . A seleção para este roteiro foi 60% para os calouros e 40% para os veteranos e funcionários. Para o DCE o projeto Trilhas tem hoje na academia muita aceitação, e pode ser considerado um projeto de sucesso.



Por Eduardo Barreto
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Amantes da Tecnologia celebram o Dia da Mídia Social em Aracaju




Ferramentas indispensáveis para centenas de profissionais, estudantes e, em especial, amantes de novos espaços de sócio-interação, as mídias sociais ganharam, mundialmente uma data comemorativa.

O site Mashable criou o Social Media Day, numa data que ficará marcada para os amantes de novas tecnologias: 30 de junho. Mais de 500 cidades em 90 países do mundo realizaram reuniões e encontros com especialistas das áreas de comunicação e tecnologia para a celebração do dia das mídias sociais.

Em Sergipe, a comemoração do evento foi toda combinada via a rede social de microblogs twitter. Segundo explica um dos participantes do evento, George Lemos, a idéia inicial foi sugerida pelo publicitário Gabriel Leite na rede social e logo em seguida encontrou adeptos dispostos a participar do encontro.

“Todo o evento foi combinado via twitter. Até o espaço para a realização do encontro também foi cedido via twitter pelo bar @Chopp_13 que, ao saber da nossa intenção de realizar este encontro, nos cedeu um espaço reservado. E o mais interessante é que todos os contatos dos participantes do evento ocorreram de uma forma ou de outra através de alguma ferramenta da rede social”, explica.


Espaço de Interação

De acordo com a professora do curso de comunicação da Universidade de Pelotas (Upel), Raquel Recuero, as mídias sociais se constituem como ferramentas capazes de interagir e comunicar diversos atores sociais dentro da rede mundial de computadores. Na sua publicação, denominada Redes Sociais na Internet, a autora relaciona a capacidade das redes sociais em dar visibilidade e manter os laços sociais originários dentro do espaço virtual para um universo fora dele.

Para o estudante de jornalismo e participante do encontro, Eloy Vieira, a celebração da data reforça o potencial interativo e o poder de reverberação que as mídias sociais criam no mundo online e perpetuam no mundo real. “A primeira pergunta que cada um fez ao outro foi 'Qual é a sua arroba?'. Eu só conheci boa parte dos twitteiros de Aracaju graças a esse evento, e já aguardo a próxima edição", relata.

por Andreza Lisboa
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Presidente do Sindijor-SE é a favor da obrigatoriade do diploma de jornalista


‘O mês de junho foi uma data de aniversario ruim para nós’ começa o presidente do Sindijor-SE. Com efeito, o ano passado o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu a não exigência do diploma de jornalista. Essa decisão com uma disposição da categoria que datava de 1979 e que fazia parte da regulamentação da profissão de jornalista. Com essa lei, o direito a ser jornalista passou a ser de qualquer pessoa.


‘Parece muito democrático, cidadão’ fala Georges Washington Oliveira da Silva. Com efeito, o argumento do STF naquela época era que a exigência do diploma feria princípios da Constituição Federal como a liberdade de expressão e de organização profissional. ‘Isso não é verdade’ afirma o representante do Sindijor-SE porque ‘quem tem o poder de manipular a informação não é o jornalista em si, mas as empresas de comunicação’ ou seja, segundo ele, ‘os meios detidos por 5 ou 6 famílias ligadas às oligarquias ou ao poder político’.



Segundo Georges Washington, ‘tem um perigo na questão da qualidade, da ética e sobre todos os pressupostos necessários na profissão de jornalista. O diploma dá uma formação profissional, uma formação humanística e a possibilidade para o jornalista não depender totalmente do dono da empresa. Sobre tudo, o jornalista pode cumprir a sua missão com a sociedade que fiscaliza a formação pelo meio da universidade’. Com a não exigência do diploma, ‘não existe mais o pilar de nossa profissão que era a regulamentação co princípios como o piso salarial profissional’. Resumindo, George Washington afirma que essa lei é ‘a porta aberta à manipulação e ao conflito de interesses e a consideração do trabalhador como um objeto que eles podem trocar à vontade’.



O presidente do Sindijor-SE evoca também as criticas sobre a luta do sindicato: ‘Algumas pessoas falam que nossa luta é corporativista, mas tenho de lembrar que em nossa regulamentação nunca recusamos a participação de “colaboradores” sem formação. De fato, a profissão nunca foi fechada e essa lei é um absurdo’.



Claro que num ano só, é difícil fazer um balanço da lei de não exigência do diploma mas alguns efeitos chegaram como em São Paulo onde a Folha de São Paulo já abriu concursos para pessoas que querem ser jornalista sem formação ou ainda no interior onde os jornais com poucos recursos aproveitam da lei para empregar jornalistas mais baratos.



Segundo Georges Washington a luta não acabou. Com efeito, ele afirma que essa lei pode ser ‘um tiro no pé do dono’ porque a tendência vai chegar à igualdade de salários entre profissionais e não formados e ao aumento dos custos de formação do jornalista dentro da empresa, antigamente cobrados pela universidade. De fato, ‘o lucro será menor’. Outro meio usado para limitar a lei é o desvio da lei federal por leis estaduais e recomendações como a da deputada sergipana Ana Lucia. Além disso, duas proposições de emenda à constituição foram propostas para escrever na constituição federal à exigência de qualidade de informação assegurada pelo diploma.


Por: Gauthyer
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Aracaju conta com incentivos ao transporte cicloviário

Em meio ao caos de automóveis que se forma diariamente nas ruas e avenidas de Aracaju, estão as bicicletas, que tem seu uso como meio de transporte (e não apenas para atividade física e lazer) cada vez mais impulsionado através de políticas de incentivo realizadas pelo governo, como o aumento da implantação de ciclovias e bicicletários na cidade.

Desde 2001 a Prefeitura de Aracaju, por meio da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT) vem investindo mais de 11 milhões na ampliação e estruturação de vias destinadas exclusivamente a ciclistas, o que faz da capital Sergipana a maior detentora de malha cicloviária do Nordeste, com 56, 4 Km de ciclovias construídas, sendo considerado o melhor Projeto Cicloviário do país e premiado no Salão Duas Rodas, em São Paulo, no final de 2005.

A medida de incentivo a transportes alternativos em Aracaju visa não apenas desafogar o trânsito, como estimular a população a ter hábitos mais saudáveis, com menos poluentes atmosféricos, além de ser uma opção de locomoção a baixo custo, inspirada nos modelos adotados em países Europeus. Além da construção das ciclovias, outras medidas vêm sendo implantadas em parceria para que o projeto de fato dê certo. Uma delas é a criação dos bicicletários, que garantam aos usuários a proteção segura do seu meio de transporte.

Em setembro de 2009, dois bicicletários foram instalados nas praças Fausto Cardoso e General Valadão, no Centro da cidade. Os dois bicicletários têm juntos 40 vagas e seguem os padrões adotados mundialmente, sendo equipados com paraciclos duplos (barras de ferro onde as bicicletas ficam presas por correias), gradil de proteção e placas sinalizadoras. O objetivo é que tal benefício seja estendido a praças, praias e outros locais estratégicos.

Ainda este ano a extensão da rede cicloviária da capital sergipana deve aumentar com a construção de mais 5,5 km de ciclovias.


Por Layanna Machado
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ENECON 2010 discute comunicação, academia e sociedade


Acontecerá em João Pessoa – PB, de 25 de julho a 1º de agosto de 2010, o 31º Encontro Nacional dos Estudantes de Comunicação Social (ENECOM), mais conhecido como Enecom Parahyba (o nome é referência a processos históricos vividos pelos paraibanos). A comissão organizadora e a Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social – ENECOS, responsáveis pelo fórum esperam estudantes de todos os cantos do país para mais um momento de intensos debates acerca da sociedade e da comunicação.

Com o tema “Que a Comunicação se Pinte de povo” e grade recheada de promessas de ricas discussões sobre educação e cultura popular, comunicação comunitária, formação do comunicador, o encontro pretende ser mais um momento de acúmulo e de formação para os que por ele passar. Além de ser mais um espaço para diálogo com os mais diversos atores sociais – estudantes, militantes de movimentos sociais (entre eles o movimento estudantil), professores, sindicatos.

Por diversos estados do país os centros, diretórios acadêmicos e coletivos estaduais já se organizam para garantir a participação nessa grande roda de discussões. Ao longo dos dois últimos meses têm sido feitos os chamados pré-encontros. Nessas atividades são formadas as delegações que devem compor as vagas destinadas a cada estado.

Nas palavras de um estudante podemos compreender a importância de vivências como esta: "No primeiro pré-encontro podemos perceber, que viver a ENECOS, vai muito além de uma simples luta, mais uma luta de caráter forte, preponderante para a sociedade em que vivemos. Quando levantamos a bandeira da ENECOS, não levantamos apenas um pedaço de pano, mas travamos uma luta pela defesa de uma educação justa, por uma democratização dos meios de comunicação, uma quebra do preconceito étnico, racial e sexual, ser ENECOS é vivenciar a cultura popular, conhecer os movimentos sociais e suas lutas, é compreender que o universo acadêmico não é feito apenas de ler e escrever, mais de ir além do conhecimento que a sociedade nos propõe” resume Junior Cursino, estudante de Com. Social - Relações Públicas do Estado de Alagoas.

Em Sergipe, os pré-encontros (organizados pelo Diretório Acadêmico de Comunicação Social – DACS) acontecem todos os sábados, a partir das 14 e 30 h, no Núcleo de Produção Digital Orlando Vieira. Para saber mais acesse: repartir com todos



Têm presença confirmada no Enecom Parahyba os professores Cicília Peruzzo (USP), Alder Júlio (UFPB), Romero Venâncio (UFS); Eduardo Mara (Educadores Populares – RN), Cleber Folgado (Movimento dos Pequenos Agricultores – DF). Para conferir a programação completa visite o blog: enecom paraiba 2010


Por: Bárbara Nascimento
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Virada Cinematográfica consolidada-se no cenário cultural aracajuano


Desde 2008 passando filmes de arte a preços populares, (R$15) o projeto Virada Cinematográfica, iniciativa do pessoal do Cine Vídeo e Educação em parceria com o Cinemark de Aracaju, veio para mostrar que deu certo! Tanto que não sofreu interrupções longas nesse período.


No início a idéia era a de apresentar grandes clássicos do cinema. Da mesma forma como acontece no Rio de Janeiro e em São Paulo, com a Virada Cultural, mas a dificuldade de conseguir cópias desses filmes inviabilizou o projeto. Além do que, poderia ser cansativo e o que se queria era uma nova proposta de assistir e curtir os filmes. Daí, a opção foi exibir filmes curtos com uma linguagem mais rápida e acessível a todos os públicos que goste de cinema.

O lance de passar três filmes ao longo de uma noite pode parecer cansativo, mas para quem curte de verdade a sétima arte garante que não cansa de jeito nenhum. Além disso, tem os intervalos entre um filme e outro. Uma espécie de coffee break onde se pode comer alguma coisa, tomar água, esticar as pernas e voltar para o frio aconchegante da sala de cinema. Como recompensa pela noite passada na poltrona às 06h é servido um bom café da manhã.

Frio aconchegante? Você deve estar pensando aí! Sim! Frio porque as salas do Cinemark têm um ar condicionado semelhante a 0º e aconchegante porque você compartilha risos, choros e outras emoções com os outros cinéfilos. Claro que sempre tem os “aborrecentes” no meio que falam o tempo todo e acabam por atrapalhar em alguns momentos. Mas nada que não dê para ser contornado.

Essa fórmula tripla: frio, cinema e café da manhã já faz parte do calendário cultural da cena aracajuana. A exibição das películas começa às 0h do último sábado de cada mês. Em junho deste ano a exibição se deu no dia 05. Ah! Esqueci de falar, atualmente uma das exibições é surpresa. A galera vai sabendo previamente somente sobre dois dos filmes.

É legal dizer, também, que esse evento só acontece aqui em Aracaju. Ele é meio que um desdobramento do Cine Cult, que de tanto sucesso, já existe em mais 14 cidades brasileiras onde está presente o Cinemark. Se o projeto vai se desdobrar não dá pra saber, mas que vai fazer muito sucesso por onde passar, ah, isso vai!

Por: Elaine Mesoli
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Praça General Valadão , patrimônio histórico e cultural de Aracaju

A importância das praças não se limita ao fato de elas constituírem espaços dedicados ao lazer da população. Na antiguidade greco-romana, as praças ocupavam o espaço central da polis (cidade) e abrigavam feiras e mercados livres, bem como edifícios públicos. Era na ágora (praça principal) onde acontecia o exercício da cidadania, materializado, por exemplo, em discussões políticas e tribunais populares, sem falar na convivência cotidiana com o outro. O mesmo acontecia nas cidades brasileiras no período colonial. Nelas havia sempre praças centrais com importantes prédios administrativos e outras construções - casa da redenção, câmara, cadeia. Em volta delas, as cidades se desenvolviam economicamente, culturalmente e socialmente.




Assim como muitas cidades romanas, Aracaju foi pensada como um tabuleiro de xadrez, com edifícios públicos localizados no centro, em posições estratégicas. As praças foram criadas concomitantes ao seu desenvolvimento planejado. Como o principal motivo para a mudança da capital de São Cristóvão para Aracaju foi a presença de um porto, essencial para o escoamento da produção local e para o desenvolvimento econômico do Estado, as primeiras praças foram construídas em sua proximidade, no centro de Aracaju e às margens do rio Sergipe. Uma delas foi a Praça General Valadão.


Integrando o projeto
de fundação e organização espacial da cidade, de autoria do engenheiro militar Sebastião José Basílio Pirro, a Praça General Valadão estava dentro do chamado ‘quadrante de Pirro', que tinha como centro a Praça Fausto Cardoso e a partir do qual foi traçado o tabuleiro de xadrez que deu forma à nova capital. O desenho se estendeu para os sentidos norte, oeste e sul, uma vez que no leste ficava o rio Sergipe.



Nomes


Segundo o historiador Luiz Antônio Barreto, dois dos prédios mais antigos - a Alfândega e a Cadeia - localizavam-se no entorno da General Valadão. Por muitos anos, a praça foi conhecida como a Praça da Cadeia, devido à proximidade do prédio que abrigava os presos. "Era muito comum, antes de dar nome oficial às praças, chamá-las com o nome de um prédio das proximidades", afirma Luiz Antônio. O prédio da cadeia foi demolido na década de 1930 para a construção do Palácio Serigy, onde hoje funciona a Secretaria de Estado da Saúde.

Ainda de acordo com o historiador, posteriormente a praça passou a se chamar 24 de Outubro, data da emancipação política de Sergipe. Por fim, na década de 1930, recebeu o nome do General Oliveira Valadão, ganhando também um busto do homenageado. Nascido em Neópolis, Oliveira Valadão teve participação na proclamação da República, foi duas vezes governador do Estado e líder republicano.

Economia e boemia de uma época

Luiz Antônio Barreto conta que, além de ficar perto de prédios importantes, a praça General Valadão ficava numa região de grande importância comercial, bem em frente ao rio Sergipe, onde se encontrava, então, a zona portuária. Também por ali estavam o Mercado Municipal, ainda com sua estrutura original, e a Praça do Trem, além de caminhões vindos do interior para abastecimento.

À medida que a nova capital se desenvolvia, o turismo começava a despontar como importante atividade econômica. Em 1962 o Hotel Palace de Aracaju foi construído, sendo a primeira grande estrutura para receber turistas na capital. Nessa época, os visitantes ainda se concentravam no centro da cidade devido à presença do terminal rodoviário, além dos limites urbanísticos e da atividade comercial da região.

O turista que na época vinha à Aracaju era o funcionário público que queria conhecer o Brasil, os baianos - devido à proximidade geográfica -, as excursões em navios vindos do Rio de Janeiro e que tinham como ponto de parada a capital sergipana, as companhias de teatro, música e dança.

A concentração de atividades econômicas na área central da cidade fez com que a prostituição se tornasse marcante. Havia na região casas de luxo bem estruturadas, onde pela manhã funcionavam estabelecimentos comerciais e à noite prostíbulos. Por conta disso, a área foi chamada, jocosamente, de Vaticano.

Por: Talita Moraes
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