A magia do ontem: brinquedos que ultrapassam gerações

domingo, 21 de abril de 2013

Crianças encontram uma variedade de brinquedos no Mercado Municipal de Aracaju    (Foto: Maria Beatriz Campos)

               
Carrinho feito de madeira (Foto: Maria Beatriz Campos)
 Os brinquedos artesanais são baratos, simples e facilmente encontrados em feiras e mercados populares. No Mercado Municipal de Aracaju, a venda destes brinquedos é uma tradição. José Freire de Oliveira, mais conhecido como Zé Careca, é um dos vendedores de brinquedos artesanais mais antigos do Mercado, e também um dos mais populares e conhecidos, os brinquedos chegaram em seu box há 62 anos e são responsáveis por grande parte dos lucros do comerciante. “Eu vendo bem, até porque eu não vendo caro, vendo por um preço normal, então eu vendo muito. O pião, por exemplo, custa 5 reais; o Mané Gostoso varia de 2 a 3 reais e os carrinhos variam o preço, mas não deixam de ter preços populares.”, explicou o comerciante.

Box de Zé Careca   (Foto: Maria Beatriz Campos)

No box de Zé, há brinquedos de todos os tipos, uns mais conhecidos e outros mais diferentes, mas que as crianças aprendem com facilidade a manusear. “Eu vendo de caminhõezinhos a Mané Gostoso, são muitos brinquedos. Quando as crianças chegam, a gente ensina como é que brinca com eles, ou às vezes eles já pegam e passam logo a perna no cavalinho, arrastam o caminhão, elas realmente gostam desse tipo de brinquedo. E eu aproveito para lembrar da minha infância.”, enfatizou o comerciante.

Box de Gilmara Santana  (Foto: Maria Beatriz Campos)
Gilmara Santana vende brinquedos infantis em seu box há 15 anos e se sente orgulhosa em poder levar as crianças a conhecer brinquedos que fizeram parte da história e infância de tantas gerações. “A ideia, quando eu comecei a trabalhar com esses brinquedos, foi dar continuidade, não deixar apagar esse costume. As crianças precisam conhecer os tipos de brinquedos que os pais, as mães e avós brincaram, mas elas não têm acesso hoje em dia. E se vierem ao Mercado, elas podem passar a ter esse conhecimento. Elas chegam aqui elas se encantam, o que não conhecem, sempre dão um jeito de aprender.”, conta a comerciante.

Quanto ao brinquedo preferido das crianças, os vendedores têm opiniões parecidas: não existe brinquedo preferido, todos fazem sucesso com a garotada. “Olha, não tem preferido. É incrível, tudo o que elas veem, elas se encantam. É diferente, não é da época delas, mas não importa a geração, esses brinquedos sempre conquistam as crianças. Mesmo quando não sabem brincar, elas perguntam e a gente ensina. Elas são muito espertas.”

Ubiratan Silva, de 9 anos, veio de São Paulo para passar o final de semana em Aracaju, ao se deparar com os brinquedos artesanais, que ele nunca havia tido contato, ficou encantado.“É bem diferente dos meus brinquedos, mas eu gostei deles. Só não sei dizer se gosto mais deles ou dos meus.”, explica o turista paulista.
Turista da Bahia, Sofia Castro, de 5 anos, também se rendeu aos brinquedos antigos, e ficou fascinada com a variedade e quantidade de brinquedos que encontrou. Isabella Castro, mãe de Sophia, faz questão de incentivar e tentar inseri-los na rotina da criança. “Eu tento sempre colocar esses brinquedos na rotina de Sofia, são muitos brinquedos modernos, mas mesmo assim eu tento. Os brinquedos mais simples estimulam a criatividade dela e eu acho isso muito importante. Ela é bem receptiva, gosta de muitos brinquedos artesanais, mas algumas vezes os brinquedos modernos conseguem deixar ela mais empolgada, do que os mais simples.”, contou a mãe de Sofia.

Tiago e Rebeca    (Foto: Maria Beatriz Campos)
Tiago Lídio, pai de Rebeca, de 1 ano, faz questão de apresentar à filha os primeiros brinquedos, e a maioria deles é artesanal. A simplicidade e a interação que eles proporcionam foram os diferenciais para começar a incentivar a filha a se divertir com estes brinquedos. “Eles criam uma ligação mais forte, um contato físico maior com a criança. Hoje, tudo é eletrônico, e infelizmente, as crianças estão se afastando mais dos brinquedos tradicionais. Além disso, comprando estes brinquedos mais antigos, eu consigo passar para ela como foi a minha infância, como eu me divertia com eles.”, falou o pai da pequena Rebeca.

Segundo a pedagoga Edileusa Santana, os brinquedos antigos contribuem para o desenvolvimento motor da criança, já que eles exigem mais movimentos para funcionar do que os eletrônicos. “Os brinquedos antigos contribuem para o desenvolvimento motor da criança, já que eles necessitam do movimento dela durante a brincadeira. Os eletrônicos são interessantes, e muitas vezes são a preferência das crianças, por conta do colorido e pelo fato delas poderem estar no comando, que as deixam fascinadas, elas se encantam ao perceber que só de apertar um botão o brinquedo já realiza os movimentos. Um brinquedo que é excelente para ajudar no desenvolvimento psicomotor das crianças é o pião, já que ele exige movimento e cria nelas a noção de espaço.”, indica a pedagoga.

O tradicional pião (Foto: Maria Beatriz Campos)
O pião, que foi inventado no início do século dezoito, já passou por inúmeras gerações e mesmo na era da tecnologia ainda é comum ser comprado e participar do cotidiano de tantas crianças. Quando questionada se esses brinquedos serão substituídos por brinquedos eletrônicos, a vendedora Gilmara Santana foi enfática: “Esses brinquedos sempre terão espaço. Eles ainda vão passar por muitas gerações, porque as crianças podem até não conhecer estes brinquedos, mas os pais conhecem e querem apresentar a elas, até porque quem não brincou, não teve infância.”


Reportagem: Maria Beatriz Campos
Edição: Ruhan Victor Oliveira




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