Mercado Central apresenta práticas inadequadas na comercialização de alimentos

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Aperfeiçoamento das ações de controle sanitário no Mercado Municipal ainda não oferecem total proteção à saúde da população. 
Mercado Municial Albano Franco. (Foto: Francielle Couto)
O Mercado Municipal Albano Franco, localizado na zona norte de Aracaju, tem sido alvo de vários questionamentos no que diz respeito a qualidade dos alimentos comercializados. Devido às precárias condições de higiene apresentadas, a garantia de um alimento saudável acaba não sendo funcional.

Frequentado pela maioria dos aracajuanos, o mercado vem apresentando várias deficiências estruturais que comprometem a comercialização saudável dos produtos alimentícios. No setor de frutas e hortaliças, os principais vilões são os insetos. Baratas, mosquitos e demais se proliferam com facilidade devido às inadequações estruturais.

Local de preparação e armazenamento apresenta precárias
condições de higiene. (Foto: Leonardo Vasconcelos)
No Entanto, os principais problemas encontram-se mesmo no setor de carnes e pescados, onde o esgoto que atravessa a parte interna do lugar forma poças d’água que se misturam com a sujeira do local, comprometendo de maneira significativa a boa higiene do ambiente, fator essencial quando se trata do manejo de alimentos. As bancas onde os produtos são comercializados também apresentam algumas irregularidades. A carne exporta, por exemplo, entra em contato com o ar, e está sujeita a uma contaminação de origem microbiológico ou sensorial. E o mesmo acontece com os pescados, que devem estar refrigerados para a venda, mas acabam perdendo a temperatura ideal antes mesmo que isso aconteça.

Vendedora destaca a importância da higienização para
a saúde. (Foto: Francielle Couto)
Diante das péssimas condições de higiene, a Vigilância Sanitária e Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb) adotaram a medida de fechamento do local a cada duas semanas para serviços de limpeza. A vendedora Luciene Oliveira, que trabalha no mercado há 8 anos, afirma que isso não prejudica as vendas. ''A limpeza acaba sendo importante para que todos se conscientizem da importância que uma boa higiene trás para o ambiente'', declara.

Para o agente de fiscalização Cosme Bispo, de 46 anos, esse processo só será eficaz se houver a colaboração de todos, principalmente dos próprios vendedores, pois são eles os responsáveis pela manutenção das bancas. Maria José Silveira, freguesa do mercado há 50 anos, concorda quando diz ''Não acho que seja necessário esperar que os agentes de limpeza realizem essa tarefa. Os próprios comerciantes podem colaborar para a manutenção dos seus produtos''. ''Já presenciei muita sujeira por aqui, mas tenho notado uma melhora’’, conclui Maria.

O mutirão de limpeza mais recente ocorreu no dia 08 de abril, e terá sua periodicidade reavaliada pela Emsurb para que compradores não sofram prejuízos.


Medidas de segurança alimentar

Restos de alimentos são armazenados de forma inadequada.
(Foto: Leonardo Vasconcelos)
De maneira geral, os alimentos precisam estar bem lavados e armazenados em tendas com paredes e pisos revestidos, contendo ainda equipamentos adequados para o manuseio do produto, de modo que não transmitam substâncias tóxicas, odores, nem sabores aos mesmos. Luvas e toucas também são importantes para a manipulação do alimento. Além disso, devem ser utilizados coletores com tampas para a deposição dos resíduos nas áreas de preparação.

''Microbiologicamente, a maioria das bactérias que causam as doenças transmitidas por alimentos se proliferam na temperatura ambiente, entre 25 e 60 graus. É exatamente a temperatura que aqueles alimentos se encontram.'' É o que explica a professora de Higiene, Legislação de Alimentos e Segurança Alimentar, Janaina Valéria da Silva, também especialista em Gestão de Empresas. Janaina afirma ainda que a estrutura também contribui para a manifestação de doenças e infecções.

Para ela, não adianta apenas dedetizar ou limpar periodicamente, é necessário também combater. ''É importante que haja medidas de prevenção e de tratamento'', diz. ''Deve-se utilizar a estrutura para isso, que inclusive apresenta uma péssima qualidade, além de capacitar os vendedores através de uma melhor educação sanitária. Só assim para conscientização dos verdadeiros riscos que aquele ambiente trás, tanto para os compradores quanto para eles próprios'', conclui Janaina.


Reportagem: Francielle Couto St
Edição: Érika Rodrigues

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