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Hábito da leitura é amplamente cultivado entre jovens de Aracaju

Apesar da falta de motivação e de programas de incentivo à leitura, Aracaju se mostra rica no que diz respeito ao hábito de redes literárias.

Aracajuanos optam por leitura em livrarias da capital. (Foto: Francielle Couto)

O Brasil é um país carente de leitores frequentes. É o que confirma a 3ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil realizado pelo Instituto Pró-Livro em parceria com a Ibope Inteligência. Foram 5 mil entrevistados em 315 municípios do país, medido entre crianças e adolescentes. Embora os dados apontem que o brasileiro lê em média 4 livros por ano, Aracaju possui um público amplo de leitores assíduos que acreditam no poder do incentivo e da disseminação de ideias.

A ausência do hábito da leitura é um problema decorrente de inúmeros fatores. Para muitos bibliotecários e escritores, o costume deve partir da infância, quando as crianças devem ser apresentadas desde cedo a histórias. Nesse momento, os pais e educadores se tornam seus principais mentores, mas na prática isso nem sempre acontece. Como na maioria dos casos o incentivo que deveria ser dado em casa não é frequente, resta à escola a dura tarefa de cultivar entre os alunos o gosto pela leitura.

Além disso, é difícil encontrar na cidade de Aracaju programas que centrem no incentivo. Porém, apesar da carência de eventos e mostras literárias que proporcionem momentos de lazer e informação aos leitores aracajuanos, existem pessoas que se propõem a mudar essa realidade. É o que acontece com um grupo de amigos que, unidos pela mesma paixão, se reúne pelo menos uma vez por mês no Parque Augusto Franco, localizado na zona sul da cidade. O encontro tem como objetivo compartilhar experiências de leitura e discutir sobre os assuntos literários mais atuais, como lançamentos, questões biográficas, livros mais comentados na blogosfera literária, e muito mais.
Unidos pela mesma paixão: a leitura. (Foto: Francielle Couto)
Fabiana Lima, de 28 anos, crê que em todos os lugares existem bons leitores, mas que no geral ainda falta motivação. A leitora acredita que esse é o principal motivo para o baixo índice de leitura no país, e que sem isso as pessoas não serão capazes de se descobrirem como leitores. Para ela, é mais fácil encontrar pessoas interagindo sobre novela ou futebol, mas raramente sobre obras da literatura. ''A leitura infelizmente é considerada por muitos uma cultura inútil, mas nada é inútil'', afirma. ''Tudo é aproveitado em algum momento da nossa vida. Eu mesma adquiro muito conhecimento através dos livros, coisas que em uma escola tradicional eu não aprenderia'', diz Fabiana.

Além desta, existe outra roda de leitores que se reúne frequentemente com um intuito específico. Unidos graças ao projeto criado pela escritora nacional Renata Ventura, o grupo intitulado ''Potterheads Arretados'' tem como ideia principal reunir voluntários que se disponham a visitar os orfanatos da cidade. O objetivo é propagar a leitura e mostrar que ela tem um poder transformador.

Potterheads em tarde de leitura. (Foto: Arquivo pessoal)
Para o desenvolvimento do projeto os jovens precisam contar com a colaboração de profissionais qualificados que façam o acompanhamento e saibam lidar com as crianças, além de parcerias que contribuam com a ação. O comprometimento e a participação dos interessados para que as visitas se deem de forma organizada e atinjam o ponto alvo também são essenciais. Mas os Potterheads Arretados encontraram alguns problemas na efetivação da iniciativa.

Rafaela Lopes, uma das organizadoras da campanha, afirma não ter obtido nenhuma resposta da Secretaria Municipal de Assistência Social, e sem a autorização as visitas não podem ser realizadas. Graças a isso, tudo que foi arrecadado pelo grupo, como livros infantis, será doado para outro projeto cultural. No entanto, a possibilidade de concretizar a ideia que uniu o grupo não se desfez. ''Para mim, além de conhecer novos amigos, os encontros são importantes para conhecermos outras obras da literatura, e também para entender a opinião de outras pessoas sobre um mesmo livro'', declara Rafaela. A permanência da roda de leitura motiva os integrantes às demais leituras existentes, e está aberta a novos membros. Ela também atua em um grupo específico no facebook, onde são feitas discussões e conversas dos mais variados tipos.

Os grupos existentes creem no poder da comunicação. O intuito deles é mostrar aos demais que ler é o que realmente faz a diferença no mundo, independente do que seja.


O papel das livrarias no incentivo à leitura

Livrarias como ponto de encontro. (Foto: Francielle Couto)
As livrarias da cidade tornaram-se ótimos pontos de leitura para crianças, jovens, adultos e até idosos. São livros de todos os tipos para todos os gostos, e a procura, que não é apenas comercial, faz delas verdadeiros points de apoio.

Gilvan Santos, supervisor de vendas da livraria Escariz e que trabalha no local há mais de 10 anos, assegura que em todo esse tempo já viu pessoas frequentarem o local desde pequenos. Para ele, o intuito principal não é permitir que o público venha somente com a intenção de comprar, mas sim para ter um contato direto com os livros. ''A partir do momento que é criado um local como esse, o pensamento principal é fazer com que sejam formados novos cidadãos. Por isso, não é só uma questão comercial, é de incentivo também'', esclarece. ''Esse é um ambiente em que podemos adquirir conhecimento, e isso não tem preço'', conclui Gilvan.

Blogosfera literária em Sergipe

A blogosfera literária tem se mostrado cada vez mais eficaz para a divulgação e estímulo à leitura. Em Sergipe é possível encontrar pessoas que estão à frente desse trabalho, como o blogueiro Ronaldo Gomes, de 17 anos, que assegura a importância de um blog, mas também enfatiza a responsabilidade que o mesmo traz. ''Uma resenha, por exemplo, precisa ser honesta, tendo como base o ponto de vista da pessoa como leitor. Não adianta dizer apenas que gostou, é preciso dizer o porquê. Só assim teremos pessoas de opinião própria'', declara.

A leitora Anna Beatriz Fernandes, 18 anos, confirma essa teoria ao afirmar que cada um tem uma preferência, e que por isso há leituras feitas de modos diferentes. Para a estudante, isso promove debates entre opiniões às vezes divergentes com a do blogueiro. ''Em alguns casos saímos com vontade de adquirir aquele livro que está sendo resenhado, talvez por curiosidade, ou interesse na temática da obra'', diz. ''Acho toda a divulgação da blogosfera bem motivadora. Um modo diferente e eficaz de incentivo à leitura'', completa.


Redes de relacionamento como ferramentas de divulgação da leitura

Semelhante às redes sociais mais tradicionais, os sites literários são de fácil e rápido acesso, gratuitos e bastante atrativos aos olhos dos usuários. Os mais conhecidos são 'O Livreiro' e o 'Skoob'. Em ambos é possível partilhar opiniões sobre qualquer livro através de notas ou resenhas, formando assim uma legítima estante virtual carregada de críticas e comentários.

Para a leitora Ana Caroline dos Santos, de 27 anos, o uso do skoob permite organizar melhor sua vida literária. Ela acredita na capacidade de incentivo que a rede social possui. ''Já que hoje as pessoas vivem conectadas, essas redes ajudam-nas a conhecerem o que há de novo na literatura. Além disso, é possível conhecer pessoas, e trocar ideias sobre livros e personagens'', afirma.

Mas o estímulo não é característica somente de sites literários. Redes sociais mais tradicionais, como o facebook, também contam com inúmeras páginas que são usadas por leitores para discutir sobre nomes e obras renomadas da literatura, além da troca de expectativas acerca dos lançamentos mais atuais. São destaques também assuntos sobre filmes adaptados de livros e a descoberta de jovens autores. Desafios literários e campanhas também são promovidos, assim como a avaliação de livros e o relato do conhecimento adquirido através da leitura realizada. É uma notória propagação e disseminação de ideias.


Confira alguns dados da última pesquisa Retratos da Leitura no Brasil feita em 2011. A pesquisa feita com 5 mil pessoas em 315 municípios traça um panorama da leitura no país.
Fonte: Instituto Pró-Livro

Reportagem: Francielle Couto St.
Edição: Leonardo Vasconcelos
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Medo de dirigir tem cura

Insegurança e medo são reações comuns entre algumas pessoas que não conseguem ligar o carro, dar a partida e sair de suas residências para realizar suas atividades diárias, preferindo fazer um percurso mais cansativo. Para tanto, utiliza outras opções de locomoção, a exemplos de ônibus coletivo e táxis. 

Após passar pelas autoescolas e tirarem a carteira de habilitação, várias pessoas deixam-na guardada no fundo de uma gaveta ou, simplesmente, a utilizam como instrumento de identificação. Entretanto, em situações de emergência, esse medo é superado momentaneamente pela necessidade, é o caso de Ilmara Oliveira, de 28 anos.
Ilmara Oliveira


“Há três anos tirei a habilitação, fiquei dois anos parada e não pegava no carro, quando decidi tomar a iniciativa, eu não conseguia, sentia medo e nervosismo. Somente quando meu esposo estava doente, em uma madrugada, e como não tinha trânsito naquele horário eu dirigi, mas não sei se conseguirei outra vez”, relatou. Ilmara ainda acrescentou que já procurou ajuda para voltar a dirigir. “Eu vou voltar a dirigir, eu quero voltar dirigir”, declarou em tom bastante expressivo.

Psicóloga Ranya Knupp



Em entrevista ao Contexto Online, a psicóloga Ranya Knupp Rocha esclareceu que “insegurança, traumas, ansiedades generalizadas, complexo de inferioridade, impaciência e síndrome do pânico são alguns fatores que levam a pessoa a achar que não é capaz de dirigir. E complementou: “O tratamento, através da motivação, mostrará que qualquer cidadão tem capacidade de superar seus medos”.




O medo de dirigir requer tratamento e acompanhamento psicológico com a finalidade de trabalhar a aversão ao volante, como também contribui para superar outros traumas possíveis que surgem a partir desse medo. “A terapia breve, focada nos problemas, aborda até outros medos. Trabalhamos com a respiração diafragmática, a motivação e a psicoterapia, mostrando ao paciente que ele é capaz de dirigir. É feita uma análise como um todo para ver se o problema é patológico”, afirmou a psicóloga Ranya Knupp.
Além das terapias em consultórios, existem também autoescolas especializadas para ajudar pessoas que já possuem carteira de habilitação. Em Aracaju, existe a empresa “Dirigindo Bem”, que auxilia pessoas com essa dificuldade. “A primeira aula é gratuita e é feita uma avaliação do cliente, caso exista o interesse em continuar, fazemos um pacote de aulas. Existe também a participação de psicólogos que o acompanha a cada quatro aulas no carro, também são feitas terapias em grupo”, informou a atendente Sara Benevide.
Leia mais sobre o assunto: clique aqui

Repórter: Vanessa Monteiro |    Editor: Osmar Rios    |  Fotos: Vanessa M. e arquivo pessoal (Ranya)
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Combate à violência contra a mulher: Uma luta em busca de paz

          
          Marco da luta pelos direitos humanos, a data 25 de novembro é reconhecida internacionalmente como o Dia de Combate à Violência Contra a Mulher. Neste ano o dia 25 completa 30 anos desde sua primeira celebração e abre a programação da campanha “16 Dias de Ativismo”. Em todo o Brasil, mulheres se unem pela erradicação das agressões e garantia dos seus direitos, na tentativa de romper o histórico de opressão da qual são vítimas ainda hoje.
      
         No estado de Sergipe, a programação dos 16 Dias de Ativismo se espalha por diversos pontos da capital e do interior, com a participação da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres (SEPM) e da Delegacia Especial de Atendimento às Mulheres (DEAM), entre outras entidades. Em Aracaju, as ações do dia 25 se iniciaram na Praça Fausto Cardoso, das 10h às 16h, com a distribuição de material informativo, consultas jurídicas e informações de prevenção às doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), ao crack, ao câncer de mama e à gravidez indesejada.
         
          Ações como essa se constituem como espaços de diálogo e protagonismo, sendo de fundamental importância no combate à violência contra a mulher, que apresenta um panorama de índices preocupantes. Um levantamento realizado em 2010 pela Fundação Perseu Abramo apontou que uma em cada cinco mulheres já foram agredidas pelo menos uma vez, e mais da metade não procurou ajuda. Em Sergipe, segundo dados da SEPM, foram registrados neste ano 2554 boletins de ocorrência envolvendo casos de agressões e abusos a mulheres, sendo que apenas 831 foram apurados.
         
          Neste sentido, a Lei Maria da Penha se apresenta como um dos mais importantes recursos de defesa da mulher. Através dela, a mulher ganha o respaldo necessário para sair da postura de omissão, podendo contar com aparato jurídico e psicológico para realizar a denúncia contra seu agressor. 



Lei Maria da Penha e a defesa da mulher

          Aprovada por unanimidade em 22 de setembro de 2006, a Lei 11340/06 – ou Lei Maria da Penha – completou em 2011 cinco anos de vigência. Neste período, a Lei propiciou a tipificação da violência contra a mulher, classificando-a em cinco formas: a física, que inclui qualquer tipo de ação que se utilize de força para fins de opressão; a moral, relacionada aos danos a reputação; a psicológica, que envolve humilhações e prejuízos a auto-estima; a patrimonial, ligada a destruição de bens materiais; e a sexual, que diz respeito à coação da mulher a qualquer prática que envolva sua sexualidade.
Secretária Maria Teles
         
     A Lei Maria da Penha diz respeito apenas a vínculos de estreita proximidade, incluindo parentes e pessoas que convivem na unidade doméstica, sendo consideradas agregadas por laços de sangue ou de afinidade. Em casos que não envolvam relações domésticas, a queixa deve ser feita na vara comum de execuções penais.  Segundo a secretária de políticas para as mulheres de Sergipe, Maria Teles, o balanço da atuação da Maria da Penha é positivo, ainda que haja novos objetivos a alcançar: “Com qualquer outra lei é mais fácil de lidar, porque o não cumprimento leva à punição, e isso acontece de forma direta. Mas com a Maria da Penha é preciso ir buscar fundo, revolver uma cultura e quebrar uma série de noções fortemente presentes na sociedade”.
         
          A vara que regulamenta os casos enquadrados na Lei Maria da Penha em Sergipe é a 11ª, que atende também a denúncias relacionadas a idosos e crianças. Desde sua aprovação, a Lei permitiu um aumento do número de boletins de ocorrência denunciando a violência contra a mulher no estado: entre 2006 e 2011, o número de casos aumentou de 1923 para 2554. Em contraponto, apenas 32,5% dos casos registrados em 2011 foram levados a inquérito. Neste sentido, Maria Teles aponta as causas relacionadas ao déficit: “A violência contra a mulher responde por 70% das denúncias registradas na 11ª vara. Há uma sobrecarga muito grande, o que se reflete na diferença entre o número de BOs e apurações”.
        
          Para melhorar este quadro, a SEPM – criada em abril de 2011 – vem lutando pela implementação de um juizado especial para tratar de questões de violência doméstica, uma medida prevista pela Lei Maria da Penha. Segundo a secretária Maria Teles, Sergipe é a única unidade de federação que ainda não dispõe deste mecanismo.
         
          Além da 11ª vara, o estado conta atualmente com os seguintes serviços institucionais de atendimento à mulher: Cinco DEAMs, localizadas em Aracaju, Itabaiana, Lagarto, Estância e Nossa Senhora do Socorro; três Centros de Referência de Atendimento à Mulher; O Serviço de Saúde da Maternidade Estadual Nossa Senhora de Lurdes, que atende vítimas de abuso sexual; 35 Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas); uma casa abrigo; e 27 Organismos Municipais de Políticas para as Mulheres.
         
          Já está em aprovação para 2012 o projeto de instalação de mais quatro Centros de Referência de Atendimento à Mulher, que cobrirão todo o território de Sergipe. Através destes centros, as vítimas de violência terão acesso a políticas de inserção no mercado de trabalho e de inclusão social – como o benefício prioritário de programas de habitação, por exemplo. Em âmbito federal, tramita na câmara o projeto “Auxílio Mulher”, que tem por objetivo a concessão de benefícios temporários a mulheres vítimas de violência. O auxílio deve ser concedido por até seis meses por decisão judicial, em casos em que a mulher tenha que se afastar de seu trabalho para preservar sua integridade física e psicológica.
         
          Ainda neste ano serão deliberadas novas diretrizes na luta contra a violência de gênero, através da Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres. Em sua terceira edição, o evento deverá acontecer no período de 12 a 15 de dezembro, em Brasília. Em Sergipe, a Conferência Estadual aconteceu nos dias 8 e 9 de novembro, na capital, com a presença da ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Iriny Lopes.

Em caso de violência, o que fazer?

          Segundo Maria Teles, o primeiro passo é procurar uma Delegacia da Mulher. O boletim de ocorrência pode ser registrado em qualquer delegacia, mas na DEAM a mulher pode se sentir mais segura pelo fato de haver uma estrutura especial em seu amparo. Da delegacia, depois de apurado o caso, a vítima será encaminhada para os centros de referência, em que receberá o apoio psicológico e social necessário. A este respeito, a secretária alerta: “Este respaldo é necessário para que a mulher não volte atrás em sua denúncia. Há grande número de desistências, e não existe lei que diga que o caso pode ser apurado mesmo que a mulher retire a queixa. É uma decisão própria, não podemos tomar ninguém pela mão e mandar que pare de sofrer”.
Delegada Renata Abreu
         
        Outro mecanismo de controle à violência é o Disque 180, em que a vítima ou outras pessoas que tem conhecimento de situações de agressão tem a possibilidade de procurar ajuda, tendo sua identidade resguardada. Para a delegada da Mulher Renata Abreu, “só a denúncia torna possível que tomemos as devidas providências. Permanecer calada diante da violência é pior, pois a mulher vai continuar convivendo com um companheiro perigoso, correndo o risco de ser novamente agredida”, alertou a delegada durante as atividades na Praça Fausto Cardoso. 

Os 16 Dias de Ativismo

          Incluindo manifestações e eventos de conscientização, os 16 Dias de Ativismo têm como lema deste ano “da paz no lar à paz no mundo”. A campanha se organiza em torno de quatro eixos prioritários: O enfrentamento à violência doméstica; o controle à proliferação de armas pequenas; o combate à violência política contra as mulheres, incluindo períodos pré e pós eleitoral; e a fiscalização à violência institucional.
Folhetos da campanha
         
          Dentro dos 16 Dias de Ativismo, outras datas de luta se destacam, motivando as ações da programação. As atividades previstas incluem uma caminhada pelo Dia Mundial de Combate à AIDS, no dia 1º de dezembro; a Campanha do Laço Branco – Homens Pelo Fim da Violência Contra a Mulher, no dia 6; e o Dia Internacional dos Direitos Humanos, fechando a grade, no dia 10. A jornada conta ainda com palestras e rodas de conversa distribuídas ao longo dos 16 dias, sobretudo nas zonas de periferia do estado.
         
          Além de conscientizar a população, os 16 Dias de Ativismo tem o objetivo de agregar parceiros à causa das mulheres. Para motivar o protagonismo, a secretária Maria Teles convida as mulheres: “A violência de gênero vai muito além do olho roxo e do xingamento. Nós temos nossa imagem explorada e mercantilizada. Ganhamos menos que os homens desempenhando as mesmas funções. Sofremos uma opressão histórica, uma relação de dominador e dominado que deve ser quebrada. A mulher não pode simplesmente esperar que o vento sopre a favor. A luta tem que ser nossa”.

 Para saber mais

          Se você sofre deste problema, conhece alguém ou quer se informar sobre, os links a seguir podem servir para uma orientação a mais:






Por Nayara Arêdes
Fotos: Stand na Praça Fausto Cardoso e Material da campanha: Iargo Souza/ Maria teles e Renata Abreu: Nayara Arêdes
Arte sobre o dia 25 de novembro: Nayara Arêdes
Edição: Ana Carolina Souza


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BIpolaridade é responsável por muitos suicídios na adolescência

A adolescência é um período que vai dos 10 aos 20 anos de idade, conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), e esta é uma fase de transição entre a infância e a vida adulta em que o indivíduo passa por diversas transformações físicas, sociais e psicológicas. É nesse período que há, gradativamente, uma vontade de ficar mais distante dos pais e mais próximo dos amigos e de si mesmo, desligando-se dos hábitos infantis e fazendo suas próprias escolhas para a vida adulta. Com isso, terá uma ligação mais intensa com a liberdade e, consequentemente, com o livre-arbítrio e, por fim, descobrir o seu papel enquanto um ser social adulto.

Foto: InfoMais

O fato é que toda a gama de possibilidades e novidades – das primeiras experiências sexuais até o consumo de drogas – pela qual passa um adolescente o deixa um tanto instável emocionalmente. Uma “bomba” de sentimentos distintos explode em sua mente, tais como: euforia, desânimo, curiosidade, medo, inadequação, entre outros, aliados à bastante intensidade e inconstância e, ainda, regados à frequentes mudanças de opiniões, metas e de um comportamento bastante impulsivo.


Foto: conectando-voce.blogspot.com
Tudo isso acontece em meio a situações cotidianas diversas que o jovem passa, que vão de uma busca por aceitação social em um determinado grupo até uma simples briga com o(a) atual namorado (a). Este último é o caso da adolescente C.L, de 16 anos. Ela revela que algumas vezes já pensou até em suicidar-se após o fim de seu relacionamento “Dá até vergonha de falar, mas eu já pensei até em me matar quando meu namorado terminava comigo por causa de outra menina. Mas é pensamento rápido, depois até me arrependo em ter pensado nisso”.

O problema é que em meio à instabilidade emocional que alguns jovens passam pode, na verdade, estar escondida uma doença mental, denominada Transtorno Bipolar do Humor (TBH), também conhecida como Transtorno Afetivo Bipolar (TAB). Segundo dados do Programa de Crianças e Adolescentes Bipolares (ProCAB), cerca de 2% dos adolescentes brasileiros sofrem com a patologia e os números vêm crescendo. E, segundo a OMS, das doenças mentais o TBH é terceira mais comum entre adolescentes, atrás apenas da depressão e da esquizofrenia, além de ser a que mais cresce em relação ao número de suicídios de jovens no mundo.

Em entrevista concedida ao Contexto Online, a psicóloga do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) e do Hospital da Polícia Militar- SE, Patrícia Millena Paixão Souza, responde a questões referentes ao TBH.

Contexto Online: O que é Transtorno Bipolar do Humor (TBH)?
Patrícia Paixão: É um transtorno mental caracterizado pela presença de sintomas relacionados a perturbações significativas do humor. Essas perturbações se configuram em oscilações cíclicas, entre mania e episódios depressivos, ou seja, o doente oscila entre estados de alegria e euforia intensas, até o estado de depressão.

Contexto Online: Quais os fatores que causam essa doença?
P.P.: As causas do TBH são desconhecidas, mas existem alguns fatores associados à doença que nos levam a crer que estejam relacionados ao transtorno. Dentre eles, se destacam os traumas e perdas significativas que as pessoas sofrem. Além disso, há desconfiança de que o componente genético também está associado à presença do transtorno.

Contexto Online: Como é manifestada essa patologia, ou seja, quais os sintomas?
P.P.: Existem os episódios de mania que são caracterizados pela elevação do humor, acompanhado do nível de atividade dos pacientes, além da intensa euforia, típica nesta fase. O sintoma de irritabilidade está relacionado a restrições impostas por outras pessoas. Além destes, se fazem presentes, sintomas como, a fragmentação da atenção e a distraibilidade, acompanhados da presença de crenças irrealista de realização, de redução acentuada da necessidade de sono e de aumentos nos impulsos de falar.

Contexto Online: Como é possível diagnosticá-lo em adolescentes? Pois esta fase da vida das pessoas é dotada de instabilidade emocional e impulsos, podendo estes, serem confundidos com indícios da doença.
P.P.: O diagnóstico do TBH na adolescência deve levar em consideração os aspectos que são característicos desta fase, na qual o indivíduo atravessa um período de transição entre a infância e a fase adulta, encarado por alguns teóricos como crise. Apesar das características peculiares da adolescência, os sintomas relacionados ao transtorno se caracterizam principalmente pelo grau de comprometimento na vida do paciente. Ou melhor, euforia, crenças irrealistas podem aparecer na adolescência, mas o que determina o transtorno é o quanto estes sintomas afetam a vida e as relações do paciente.

Contexto Online: O uso das drogas pode emitir sinais que se assemelhem aos da doença?
P.P.: Sim. Mas é preciso deixar claro que o profissional da saúde mental possui recursos técnicos para avaliar as diversas patologias: entrevista de anamnese (faz o paciente lembrar-se de fatos relacionados à doença), exame clínico, entre outros. Permitindo que se faça um diagnóstico diferencial apropriado.

Contexto Online: E essa patologia tem cura?
P.P.: Não. O TBH é um transtorno que acompanha o paciente pela vida toda, mas pode ser tratado e seus sintomas controlados.

Contexto Online: Quais os tipos de tratamento para o TBH?
P.P.: O tratamento é composto de intervenções medicamentosas, bem como psicoterapia. Em casos muito graves em que há um comprometimento maior da vida do paciente, o trabalho dos profissionais do CAPS é de suporte social, tentando amenizar os sintomas do transtorno e garantir a qualidade de vida dos pacientes.

Contexto Online: Quem é mais vulnerável a doença, os meninos ou as meninas?
P.P.: De acordocom a teoria, a prevalência do transtorno é maior nos meninos. Mas não há dados sobre os fatores de vulnerabilidade relacionados a este dado.

Contexto Online: Como a família deve se portar ao descobrir que um de seus entes possui o TBH?
P.P.: Ao desconfiar da presença do transtorno, a família deve procurar uma avaliação psiquiátrica para posterior encaminhamento do caso a um psicólogo ou a uma equipe interdisciplinar. Existem também os serviços públicos de saúde que se organizam aqui em Aracaju, numa rede de saúde mental chamada a REAP (Rede de Atenção Psicossocial). Os casos leves e moderados podem ser tratados num ambulatório de referência em saúde mental e os mais graves são tratados em CAPS. Qualquer pessoa pode se dirigir a uma unidade de saúde mais próxima para se informar a respeito dos encaminhamentos a serem feitos.





Repórter: Eduardo Ferreira |  Editor/Box: Osmar Rios 
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Acesso à web aumenta número de dependentes da Internet

O crescimento acelerado do acesso à Internet aliado ao sedentarismo típico da atualidade, as pessoas têm ficado mais tempo emfrente à tela do computador. Só aqui no Brasil o IBGE registrou que, entre os anos de 2005 e 2009 o acesso à rede aumentou mais em mais de 75% em relação à pesquisa anterior. Os números compravam que estamos de fato entrando e até mesmo permanecendo mais tempo conectados, com isto, a probabilidade de desenvolver dependência à internet só aumenta.

Mas este fenômeno relacionado ao uso intenso da internet não é tão novo para a ciência. Ainda em 1995, o psquiatra norte-americano, Ivam Goldberg, cunhou o termo ‘webaholic’ para definir pacientes que tinham diagnosticados como ‘viciados em Internet’.

Você é um dependente da internet?
Foto retirada daqui.

Será que você é dependente?

Muito além dos possíveis problemas físicos e psiquiátricos, o uso demasiado da web pode causar problemas de relacionamento pessoal no mundo real. Mas cuidado, nem todo internauta é dependente só porque usa muito a internet. De acordo com o instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, para ser considerado um viciado em internet, o usuário deve atender a pelo menos cinco dos seguintes critérios:

  • Preocupação excessiva com a internet;
  • Necessidade de aumentar o tempo conectado para ter a mesma satisfação;
  • Exibição de esforços repetidos para diminuir o tempo de uso da internet;
  • Irritabilidade e/ou depressão;
  • Instabilidade emocional caso esteja impedido de conectar-se à rede
  • Permanece mais tempo conectado do que o programado;
  • Escola e as relações sociais ficam em risco pelo uso excessivo;
  • Mente a respeito da quantidade de horas conectadas.

Se você apresenta cinco destas características, já está na hora de procurar um tratamento. Aqui no Brasil, somente o Hospital das Clínicas de São Paulo tem um programa específico para adolescentes de 12 a 17 anos. Para saber, faça o teste criado pela Dra. Kimberly Young em 1996 mas, que até hoje, é considerado o mode de diagnosticar e mais preciso e mensurável sobre o uso da internet. Acesse o quiz.

Para Dra. Kimberly, a autora do quiz, uma pessoa viciada em internet a utiliza por cerca de 38 horas semanais. Se dividirmos essa carga horária pelos sete dias da semana, teremos cerca de 5 horas e meia diárias. De acordo com pesquisa feita pelo IBOPE em 2009, o internauta do Brasil passa em média 45 horas semanais, o que equivale a mais de seis horas diárias. Confira abaixo alguns depoimentos de duas usuárias sobre o uso que elas fazem da internet.

Depoimento de usuários

Aline Lisboa, professora do Departamento de Adminstração da UFS

Aline Lisboa, professora da UFS.
Foto: Arquivo Pessoal
Apesar de ser uma webaholic confessa, Aline Lisboa reforça seu compromisso em manter uma vida social ativa e um relacionamento no fora da web com seus amigos. Profissional da área de marketing do curso de Administração da UFS, ela diz que o seu trabalho também contribui na utilização excessiva da web.

“Eu passo cerca de 10 a 12 horas por dia no mundo digital. Eu geralmente acesso as redes pra buscar conteúdo sobre marketing (sou professora dessa disciplina na UFS). Também gosto de jogar e utilizo perfis corporativos para difundir serviços. Acredito que sou viciada sim, afinal, não consigo ficar muito tempo sem utilizar a internet, entretanto não deixo de sair ou fazer demais atividades por conta disso. Tenho mais amigos ‘offline’, apesar de tê-los conhecido nas redes sociais. Depois do primeiro contato, começamos a manter uma amizade estável. Às vezes faço refeições em frente ao computador para não perder tempo com as atividades que realizo, especialmente quando estou trabalhando. Mesmo com o uso excessivo, não deixo de me relacionar fora do mundo virtual”.

Camilla Argôlo, estudante de psicologia na Universidade Tiradentes

Camilla Argôlo, estudante de psicologia
Foto: Arquivo Pessoal
A estudante não se considera uma viciada em internet. Além disso, reforça a importância do relacionamento pessoal e social em detrimento à comunicação na web. 

“Geralmente passo de 3 a 5 horas na internet. Na maioria das vezes acesso as redes sociais, procuro conteúdos para meu curso e estudos acadêmicos. Entre ficar na internet e sair com os amigos, prefiro, sem pestanejar, a segunda opção. Acho importante o relacionamento pessoal e familiar. Ele tem mais valor, em minha opinião. Apesar de não comer em frente ao computador, muitas vezes o deixo ligado durante a noite. Apesar disso, não creio que eu seja uma viciada. Meu uso é moderado”.

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Uma relação delicada: Filhos homossexuais x Pais

A homossexualidade sempre esteve presente na história da humanidade e nem sempre foi um assunto envolto por tabus. Em importantes civilizações, esta era uma prática normal. Com o surgimento de algumas crenças religiosas e interesses políticos, as relações homoafetivas passaram a ser olhadas de maneira diferente. Definida como uma prática não natural, a condição de homossexual foi considerada, então, errada e até poucas décadas atrás, uma doença.
No século XXI, a homossexualidade vem quebrando tabus (Foto: Google)

A aceitação é o primeiro passo (Foto: Google) 
Não há estudos que comprovem que a homossexualidade é genética, no entanto, para muitos pesquisadores, não é uma condição adquirida. O que é do conhecimento de todos é que não há pais que desejem que seu filho seja homossexual. Seja por preconceito ou medo deste, a maioria dos pais ainda não sabe como agir quando descobrem que seu filho (a) se atrai por pessoas do mesmo sexo. “A primeira coisa que eu perguntei quando meu filho me disse, entre lágrimas, que era gay foi ‘Meu Deus, onde foi que eu errei? ’. Não sabia o que fazer”, conta Valéria Santos, dona de casa e mãe de Matheus, 25, homossexual assumido.
Steylon Rebouças (arquivo pessoal)
As reações dos pais são semelhantes num primeiro momento, mas o que define a relação posterior à descoberta é a atitude tomada. “A condição sexual do meu filho não influencia em mim. Se ele for uma pessoa de caráter, com os princípios que eu o ensinei já é o suficiente”, afirma Vilma Maria Rebouças, Designer de Interiores e Artista Plástica, mãe de Steylon Rebouças, 23, estudante e homossexual. “Só quero que ele tenha uma vida regrada e responsável. Esse deveria ser o desejo de todas as mães de filhos gays”, completa.
No entanto, ainda há mais casos onde a relação entre pais e filhos homossexuais piora depois da revelação. Vera* é enfermeira e prefere não revelar seu nome, mas diz que quando contou a seus pais que era lésbica, aos 19 anos, foi expulsa de casa. “Quando sai de casa, não voltei mais. Consegui independência e não falo com meus pais há 22 anos. Eu já os procurei inúmeras vezes, mas eles já cansaram de dizer que não me consideram mais filha deles. Restou uma grande mágoa”, lamenta.
Como as reações e relações entre pais e filhos homossexuais variam, ainda há o medo de assumir uma orientação sexual diferente da socialmente imposta para os pais. “Eu sei que sou gay desde 12 anos. Aos 15 fiquei com o primeiro menino, mas meus pais são evangélicos e acham que isso é coisa do demônio. Sei que se eu contar, eles nunca mais vão olhar pra mim”, explica Bruno*, 19, estudante universitário.
Nádia Dias (arquivo pessoal)
A psicopedagoga especializada em sexologia, Nádia Dias, destaca a importância da aceitação para o bem-estar da relação entre pais e filhos. “A realidade é que os pais não sonham em ter um filho homossexual. No entanto, o filho não nasce para viver a vida dos pais. A aceitação da situação é a única forma de manter uma relação saudável com ele, afinal, ao descobrir que a condição sexual é contrária a imposta pela sociedade, a angústia do filho é avassaladora. Ele precisa de ajuda”, explica Nádia.
Mesmo com as conquistas dos movimentos LGBTs (Lébicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros), o assunto ainda é muito delicado e rodeado por preconceitos. No entanto, pesquisadores do tema concordam que depois da revelação dos filhos, os pais devem agir com naturalidade, uma vez que ele precisa de apoio e acima de tudo atenção, carinho e afeto. “Vocês pais não devem se distanciar do seu filho. Tenham uma relação de confiança com ele, conquistem isso conversando com ele pelo menos duas vezes por semana. Esteja presente criando e alimentando diálogos, demonstrando seu carinho”, aconselha a psicopedagoga.
* Nomes fictícios 
Para saber mais sobre o assunto acesse:

Reportagem: Lohan Montes
Edição: Adler Berbert
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Literatura infanto-juvenil acompanha e conquista leitores

A literatura infanto-juvenil tem ocupado um grande espaço nas prateleiras das livrarias do Brasil e do mundo. São milhares de autores, livros e personagens dedicados a um público cujo gosto tem se modificado com o passar dos anos. Mas a história desse gênero literário não é recente, muitos escritores se dedicaram e fizeram da literatura infanto-juvenil um dos gêneros que mais cresce no mercado literário. Há quase duzentos anos, por exemplo, com as fábulas dos irmãos Grimm - dois alemães que ganharam notoriedade e são, hoje, nomes indeléveis na história da literatura infanto-juvenil -, estórias destinadas a um público mais jovem começaram a ganhar espaço e apreciação.

A literatura infanto-juvenil ocupa um grande espaço nas prateleiras das livrarias, e é consumida por um público que vem se modificando com o decorrer dos anos


Uma das obras clássicas da literatura
Aqui no Brasil, a literatura infanto-juvenil parece ter alcançado finalmente o seu lugar merecido. As livrarias têm se especializado e a procura por livros é cada vez maior. Autores notórios como Monteiro Lobato que, com o famoso e já clássico livro Reinações de Narizinho, deu início a um verdadeiro amadurecimento da literatura infanto-juvenil na língua portuguesa, contaram histórias que atraíram, e atraem, um público numeroso, antes inimaginável.

Para a professora de Literatura, Josilene Cruz, que há mais de dez anos trabalha com projetos de leitura para jovens em sala de aula, o aumento desse público na literatura deve-se, em parte, ao incentivo. “O gosto pela leitura tem crescido cada vez mais entre jovens e crianças e isso acontece graças ao estímulo que pais e professores têm dado. É na infância que deve ser despertado o amor à leitura, aos livros. A escola e a família têm, com certeza, papel fundamental nisso. É nosso dever como educadores oferecer aos jovens uma linguagem mais abrangente, oferecer o ensino via literatura, principalmente à literatura brasileira que é tão rica”.

Para Josilene Cruz, os pais
e a escola têm estimulado
bastante a leitura das
crianças e dos jovens
O surgimento da crítica especializada, nos principais órgãos de imprensa, também tem contribuído muito para desmistificar uma falsa realidade, antes tida como verdadeira, que a literatura infanto-juvenil era um gênero de segunda categoria. Para a professora Josilene, a crítica é uma forma de manter exposto este gênero e mostrar as pessoas o seu imenso valor. “A crítica é um meio de exposição do gênero, de mostrar à sociedade que a literatura infanto-juvenil tem muito a dizer, que os jovens aprendem muito e desenvolvem capacidades diferenciadas como aprimoramento da capacidade de raciocínio, de contextualização, de interação com o próximo, etc”.

“Historinha” levada a sério

Com o tempo, a literatura infanto-juvenil foi se consolidando e surgiu então a chamada “corrente realista”. A preocupação moralista e também pedagógica deu lugar aos temas ligados à nossa perspectiva sociocultural. Passou-se a questionar a realidade por intermédio de um humor feito com bastante seriedade.

Grandes autores consolidaram em suas obras uma visão sociocultural das “historinhas” escritas. Crianças e adolescentes passaram a ser vistos como um público leitor cuja inteligência e gostos são apurados, portanto dignos de um conteúdo sem discriminação. Escritores como Charles Perrault – precursor dos contos de fadas -, Monteiro Lobato, Ana Maria Machado, Tatiana Belink (estes três últimos brasileiros), Jean de La Fontaine, Liev Tólstoi, entre tantos outros, revolucionaram um gênero que por muito tempo foi desprezado, mas que hoje é, sem dúvida, parte da história.

A literatura infanto-juvenil se consolidou, e com ela veio a preocupação moralista e pedagógica


O que os jovens leem hoje

Vivemos no mundo da eletrônica, da Internet, onde as informações estão demasiadamente disponíveis. Com tantas possibilidades, a literatura tem inovado temas, moldado linguagens, tudo para acompanhar os jovens e suas expectativas. Mas o que o jovem de hoje lê? Será que La Fontaine ainda tem lugar garantido nas estantes? Monteiro Lobato, com sua crítica perspicaz é o queridinho da garotada?

Raissa Santos Grijó Leite é apaixonada por leitura,
e não dispensa um bom livro
Para Raissa Santos Grijó Leite, de 19 anos, apaixonada por leitura, literatura para jovem não pode ser um tema tratado com desprezo, é coisa séria, afinal jovem também lê, e muito. “Eu penso que literatura pra jovem não deve ser vista como algo simples, que pode ser feito de qualquer jeito. Gosto de escritores que se comprometem com esse público infanto-juvenil e que sabem que nós somos exigentes, atentos”.

Ainda segundo Raissa, há muito preconceito com relação ao que os jovens leem hoje. “A gente não pode desprezar autores mais clássicos como esse que foi citado (La Fontaine), ao contrário, é neles que tudo deve começar, mas também é preciso entender que os tempos mudam e a literatura, como uma expressão sociocultural, deve moldar e adequar sua linguagem se quiser atrair leitores. Hoje vejo que os jovens leem mais ficção científica, Best Sellers, Harry Potter. Mas até nestes há um valor muito grande. Há livros que te obrigam a buscar referências em clássicos . Mas o importante mesmo é ler e, claro, variar os gêneros”.

Repórter: Taylane Cruz
Fotos:
Taylane Cruz
Editora: Monique Garcez
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Novo kit anti-homofobia ainda causa divergências de opiniões


O kit anti-homofobia nem mesmo foi lançado e já está criando polêmicas nos diversos setores da sociedade, como a igreja, o Legislativo, e entre pais e profesores. Este kit, que será distribuído inicialmente a adolescentes a partir de 14 anos que estudam em escolas públicas de todo o Brasil, é uma nova versão proposta pelo Ministro da Educação Fernando Haddad, pois a primeira elaborada pelo Ministério da Educação (MEC) foi vetada pela presidente Dilma Rousseff, alegando através de entrevista dada a Globo News, que o material não cumpria seu papel educativo de combater a discriminação contra os homossexuais e que o governo não iria permitir qualquer tipo de propaganda sexual.

Cartaz do Projeto Brasil sem Homofobia. Fonte: Divulgação

A suspensão do kit causou revolta dentro da comunidade gay brasileira. Segundo Tatiane Araújo, presidente da ASTRA Direitos Humanos e Cidadania GLBT (gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros) de Sergipe, a presidente Dilma Rousseff foi irresponsável ao tomar essa atitude, além de reforçar a perversidade e homofobia nas escolas. “Essa foi a ação mais concreta do MEC para diminuir o preconceito nas escolas, porém a imprensa divulgou de maneira errônea o caso, consequentemente começou-se a acreditar em uma influência do kit na sexualidade das crianças”, desabafa e completa: “Esse projeto só iria trazer esclarecimento para as nossas crianças, além da minimização dos danos causados pelo bullyng como a exclusão, o suicídio e a prostituição, não dar continuidade foi um retrocesso”.       




Tatiane Araújo, presidente da ASTRA Direitos Humanos e Cidadania GLBT (gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros) de Sergipe. Fonte: Arquivo Pessoal.

O segundo kit incluirá um caderno que vem com o objetivo de dar suporte aos profissionais de educação, além dos três vídeos institucionais apresentados abaixo. O vídeo “Torpedo” trata da bissexualidade de duas alunas que se apaixonam e são discriminadas no colégio;




 “Probabilidade” explica através de uma animação a questão da bissexualidade;



E o vídeo “Encontrando Bianca”, que trata de um garoto de 15 anos que se veste com roupas femininas e relata que gosta de ser chamado de Bianca e que se encontra num dilema na hora freqüentar o banheiro do colégio além de flertar com um colega.


O vídeo é finalizado com uma declaração sobre a superação do preconceito sofrido. Todo este material será novamente analisado por uma comissão antes de a presidente expressar sua opinião e julgamento sobre o caso.




Elaborado pela SEDH com apoio do PNUD



Todos estes cuidados do governo não estão surtindo efeito apara acalmar muitos pais preocupados com o Projeto Brasil sem Homofobia do MEC, parte do Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT, promovido pela Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República. As diretrizes do plano recomendam a "intersetorialidade  e  transversalidade  na  proposição  e  implementação  das políticas públicas: o combate à homofobia  requer ações integradas entre as áreas da educação, saúde e segurança, dentre outras".

 

Segundo alguns pais o limite da sexualidade dos filhos devem ser definidos por seus responsáveis e não pelo governo. “Acho isso uma invasão de privacidade, o governo não pode educar nossos filhos num quesito tão pessoal”, afirma uma mãe que prefere não ser identificada. Outra mãe afirma que conversa com seu filho em casa e que isso já é o suficiente. “Meu filho tem conhecimento de todas essas questões, pois no dia-a-dia esse assunto é introduzido em nossa casa.", revela Elian dos Santos, mãe de um adolescente de 16 anos, estudante do ensino médio.
Procurados, os proprietários e diretores de instituições de ensino de Sergipe afirmam não terem uma opinião formada sobre o projeto do Ministério da Educação. “Não posso imprimir uma opinião sobre algo que não conheço. O MEC não enviou o projeto completo para nenhuma escola de Sergipe, tudo o que sei é através da imprensa e não dá para se fazer uma análise de um assunto tão delicado através da ótica de terceiros”, afirma Silvia Porto, diretora de uma escola da grande Aracaju.


Seja pelo interesse dos pais ou da sociedade em seus diversos âmbitos, o que é certo é que as autoridades educacionais brasileiras devem encontrar um modo de combater e prevenir os preconceitos de qualquer segmento nas escolas, compreendendo as particularidades de cada aluno e procurando uma zona de consenso com os pais e professores tendo em vista exclusivamente bem estar de nossas crianças e adolescentes.


Repórter: Larissa Regina
Editor: André Teixeira
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